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À GEOGRAFIA DOS ESPORTES.
Autor:
Prof. Consultor CDOF Marcelo Matos.
Data de Publicação: 19 de Janeiro de 2010. É bastante compreensível
a reação de estranhamento provocada com quem se
depara pela primeira vez com o "inusitado" casamento
entre os esportes e a Geografia" (Mascarenhas, 1999, p.
46). Na verdade, essa intrigante correlação causa
indagações somente para quem analisa o esporte
apenas pelas suas práticas competitivas, regras, treinamentos,
a fisiologia do exercício, preparações físicas
e performances dos atletas. O mesmo acontece ao se observar a
Geografia como uma ciência que estuda apenas acidentes
físicos. Para exemplificarmos o campo de atuação da Geografia dos Esportes, podemos destacar: 1) Em tempos de grandiosos eventos esportivos como, por exemplo, Olimpíadas e Copa do Mundo, a Geografia dos Esportes surge como uma área que tem como possibilidade estudar seus reflexos e legado para sociedade no que tange os aspectos socias, econômicos e, até mesmo, políticos. É sabido que tais eventos ultrapassam o interesse esportivo e os países que almejam sediá-los buscam também notabilidade mundial, pujança turística e econômica. 2) As instalações esportivas (ginásios, autódromos, estádios etc.), além de se apresentarem freqüentemente como paisagem durável (decorrente do grande investimento necessário para edificação) e ampla visibilidade (decorrente do porte físico), podem ainda constituir importante referência espacial. O estádio do Maracanã é um exemplo de como uma instalação esportiva atrai investimentos para o seu entorno (comércio, sistema de transporte, sistema de segurança etc). A cidade de Barcelona, sede da Olimpíada de 1992, reformulou-se com os investimentos injetados por causa do evento e hoje é um grande centro de turismo, lazer e referência na Espanha. 3) Além disso, o esporte ao longo da história moderna é considerado um belo instrumento político e ideológico, tanto para a submissão, para o populismo, quanto para o exercício à subversão. Estádio como São Januário, sede do Vasco da Gama já foi palco de eventos na época do Estado Novo para Getúlio Vargas. 4) Por constituir esporte de elite, e por consumir extensas áreas que mantêm-se verdes e silenciosas, o golfe, por exemplo, produz campos que notavelmente valorizam os terrenos vizinhos. John Bale (1989:156) estima que no Reino Unido (onde tais campos de "monocultura" ocupam preciosos 80 mil hectares de terra) a presença de campos de golfe valorizam em média as propriedades mais próximas em aproximadamente 10%. O geógrafo norte-americano Bob Adams (apud Bale, 1989:157) acredita que em muitos casos campos de golfe são criados mais por finalidades de valorização fundiária que propriamente para a prática esportiva (Mascarenhas, 1999). 5) O aumento da prática dos chamados esportes radicais como, por exemplo, Rafting, Trekking, Rapel, Corrida de Orientação, entre outros elevam muito a preocupação com o meio ambiente. Assim, é imprescindível averiguar se as áreas determinadas para essas práticas esportivas estão sujeitas a sofrerem degradação, erosão, mudança de cursos de água, se há o risco de haver deslizamentos de terra etc. Além disso, é necessário também a elaboração de cartas, material indispensável para esportes como o Trekking e a Corrida de Orientação.
Sendo assim, está aberta a discussão, dúvidas, comentários e observações. Vamos explorar o esporte de outras formas e situações? Isso só tende a engrandecer esta área, os profissionais que trabalho com ele e o próprio esporte.
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