| Histórico
(Original
modificado de: Leonardo José Mataruna dos Santos e Luciana de Oliveira
Barros-mataruna@ruralrj.com.br)
A capoeira surgiu entre os escravos como um grito
de liberdade. Os negros da África, a maioria da região de Angola, foram trazidos
para o Brasil para trabalhar nas lavouras de cana de açúcar como mão de obra escrava.
Segundo Menezes (1976), a vida dos negros trazidos da África de maneira forçada,
brutal, consistia em trabalhar de sol a sol para os senhores portugueses que exploravam
as riquezas brasileiras desde o descobrimento. Chegando a nova terra, (os escravos)
eram repartidos entre os senhores, marcados a ferro em brasa como gado e empilhados
na sua nova moradia: as prisões infectadas das senzalas. Os colonizadores agrupavam
os africanos de diferentes tribos, com hábitos, costumes e até línguas diferentes,
eliminando, assim, o risco de rebeliões. Os negros chegavam ao Brasil, depois
de passarem dias empilhados em navios negreiros, trazendo como única bagagem suas
tradições culturais e religiosas. O negro trouxe consigo suas danças e lutas guerreiras
que de muita valia veio a se tornar para os escravos fugitivos.
Na África, mais precisamente na região de Angola, os negros lutavam com cabeçadas
e pontapés nas chamadas "luta das zebras", disputando as meninas das suas tribos
com a finalidade de torná-las suas esposas. Na ausência de armas, os negros
buscaram nas danças guerreiras sua forma de defesa. Da necessidade de preservação
da vida, surgiu a capoeira. Tendo como
mestra a mãe natureza, notando brigas dos animais as marradas, coices, saltos
e botes, utilizando-se das manifestações culturais trazidas da África (como, por
exemplo, brincadeiras, competições etc. que lá praticavam em momentos cerimoniais
e ritualísticos), aproveitando-se dos vãos livres que aqui se abriam no interior
das matas e capoeiras, os negros criam e praticam uma luta de auto defesa para
enfrentar o inimigo .Com o passar dos tempos, os nossos colonizadores perceberam
o poder fatal da capoeira, proibindo esta e rotulando-a de "arte negra", Santos
(1998). Em 1888 foi abolida a escravatura
e com isso muitos escravos foram lançados nas cidades sem emprego e a capoeira
foi um dos meios utilizados para a sobrevivência. Alguns ex- escravos passaram
a ganhar a vida fazendo pequenas apresentações em praça pública, porém muitos
deles utilizaram a capoeira para roubar e saquear. Os marginais brancos também
aprenderam a nova luta com o convívio mais direto com os negros e introduziram
na sua prática as armas brancas. Formaram-se verdadeiros bandos de marginais aterrorizando
a população. Já em 1890 a capoeira foi colocada fora da lei pelo Código Penal
da República, que dizia: Art. 402. Fazer
nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal, conhecidos
pela denominação capoeiragem; andar em carreiras, com armas ou instrumentos capazes
de produzir uma lesão corporal, promovendo tumulto ou desordens, ameaçando pessoa
certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal: Pena: De prisão cellular de
dous meses a seis mezes. (Barbieri, 1993, p.118).
Segundo Sodré (1983), as punições aplicadas eram reclusão na ilha Fernando de
Noronha e castigos corporais, tais como chibatadas. Pessoas como o regente Feijó,
Sampaio Ferraz e o major Vidigal foram os responsáveis para manter a ordem; tiveram
pouco sucesso. Segundo Areias (1983), os
seus chefes foram encarcerados ou exterminados. Mas a capoeiragem continuou fazendo
o seu trajeto. A capoeira se espalhou pelo
Brasil, porém foi nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco onde se encontravam
os maiores comentários entre o povo e a imprensa local. Apesar de reprimida a
capoeira continuou a ser praticada e ensinada para as gerações seguintes. Em 1929
ocorreu a quebra da Bolsa de Nova Iorque e a conseqüente crise do capitalismo.
O Brasil viveu um momento de ebulição das forças sociais. Com
a entrada de Getúlio Vargas no governo do país, medidas foram tomadas para angariar
a simpatia popular, entre elas a liberação de uma série de manifestações populares.
Para tal, Getúlio Vargas convidou Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba, para
uma apresentação no Palácio do Governo. Temendo a popularização da arte - luta,
Getúlio Vargas permitiu a abertura da primeira academia de capoeira, que teria
um cunho folclórico. Após essa passagem, a capoeira perdeu suas características
de luta marginal e vadiagem, visto que para freqüentar a academia de mestre Bimba
os indivíduos eram obrigados a ter carteira de trabalho assinada.
Grande parte do que se sabe hoje sobre a capoeira praticada pelos escravos foi
transmitido pelas gerações de forma oral, visto que "...a documentação referente
a época da escravatura foi queimada por Rui Barbosa, Ministro da Fazenda no governo
de Deodoro da Fonseca" (Sete, 1997). Enfim,
a capoeira ganhou a popularidade estimada por Bimba, e até os dias de hoje vem
reunindo adéptos pelo país. O
significado de capoeira Capoeiras eram áreas
semidesmatadas onde os escravos treinavam seus golpes, e provavelmente veio daí
o nome da luta. Seus golpes quase acrobáticos e com aspecto de dança muito contribuíram
para enganar os senhores de engenho, que permitiam a prática, julgando-a como
uma brincadeira dos escravos. Segundo Areias (1983), a dança, por sua vez, representada
pela ginga, servia para disfarçar a luta dando-lhe um caráter lúdico e inofensivo.
A capoeira serviu por muitos anos como instrumento de luta dos escravos.O berimbau
e outros instrumentos As rodas de capoeira
são ritmadas pelo toque de instrumentos e pelas palmas dos capoeiristas. O
berimbau, que servia para dar rítmo ao jogo, também servia para anunciar
a chegada de um feitor, ou seja, a hora de transformar a luta em dança. O jogo
da Capoeira é acompanhado por instrumentos musicais, comandados pela figura máxima
do berimbau, o qual dá o tom e comanda o ritmo para a execução das cantigas: Cantos
Corridos ou Ladainhas . Podemos encontrar
em uma roda de capoeira, além do berimbau, pandeiro e atabaque e, menos comumente,
o agogô e o ganzá. Atualmente não se concebe uma roda de capoeira sem o toque
característico do berimbau, podendo no entanto, os demais instrumentos serem dispensados,
afirma Menezes (197, p.14-5). O berimbau
dita o rítmo do jogo, é ele que comanda o toque a ser executado. A capoeira
apresenta diversos toques que são executados de acordo com a ocasião. Dentre eles
é destacado: Angola:
é o toque de abertura, lento, onde o mestre da roda, aquele que toca o berimbau,
inicia uma ladainha - saudação e os capoeiristas ficam esperando, ao pé do berimbau,
a indicação para entrar na roda; o jogo de Angola é lento e rasteiro, servindo
para os capoeiras mostrarem flexibilidade e malícia. São
Bento Pequeno: é o toque usado em demonstrações, onde os golpes são executados
a poucos centímetros do alvo. São Bento Grande:
é o toque para jogo violento, onde se procura atingir o outro capoeirista, que
deve estar muito atento e ter muita agilidade para não ser atingido. Amazonas:
toque usado na chegada de um mestre visitante; é o hino da Capoeira. Cavalaria:
esse toque antes fazia parte da comunicação entre o capoeira que estava
de vigia e os que estavam jogando, indicando a chegada da polícia. Iuna:
é o toque que procura imitar o canto dessa ave; é usado para o jogo entre mestres
de capoeira, ou então, no enterro de um deles. Santa
Maria: toque fatalista, para jogo com navalha
na mão ou no pé. Benguela:
toque para jogo com pau. Idalina: toque
para jogo de faca. Barravento: toque para jogo rápido, que exige grande velocidade
de reação. Cantos Durante
a roda são entoadas cantigas que, segundo Areias (1983), se dividem em dois tipos:
cantos corridos e ladainhas. A diferença
entre o canto corrido e a ladainha está no fato de, na ladainha, sempre contar-se
uma história, geralmente sem a resposta ou interferência do coro, que participa
apenas no momento que o cantador acaba a história e entre no canto de entrada
dizendo "iê vamos simbora/ iê é hora é hora" e assim por diante, até chegar na
expressão "dá volta ao mundo". Já no canto corrido, o cantador não tem a preocupação
de contar nenhuma história, as frases são ditas aleatoriamente, falando de assuntos
diversos, e a participação do coro é imediata e necessária desde o seu início.
Durante a roda, os capoeiristas, que ficam
de pé formando a roda, acompanham a cantoria com palmas. A única exceção são as
rodas de Angola, onde os capoeiristas ficam sentado e não batem palmas, só começando
a cantar quando acaba a ladainha. Várias
concepções da capoeira Acredita-se
que a capoeira pode e deve ser ensinada globalmente, deixando que o educando busque
a sua identificação em quaisquer dessas enumerações que veremos a seguir. Caberá
ao docente um papel relevante orientando e estimulando para que o discente possa
aproveitar ao máximo toda a sua potencialidade.
Ribeiro (1992), concebe capoeira das seguintes maneiras: Capoeira
Luta - Representa a sua origem e sobrevivência através dos tempos, na sua
forma mais natural, como instrumento de defesa pessoal, genuinamente brasileiro.
Deverá ser ministrada com o objetivo de combate e defesa. Capoeira
Dança e Arte - A Arte se faz presente através da música, ritmo, canto,
instrumento, expressão corporal e criatividade de movimentos. É também um riquíssimo
tema para as artes plásticas, literárias e cênicas. Na Dança, as aulas deverão
ser dirigidas no sentido de aproveitar os movimentos da capoeira, desenvolvendo
flexibilidade, agilidade, destreza, equilíbrio e coordenação motora, indo em busca
da coreografia a da satisfação pessoal. Capoeira Folclore
- É uma expressão popular que faz parte da cultura brasileira, e que deve
ser preservada, promovendo a participação dos alunos, tanto na parte prática,
como na teórica. Capoeira Esporte - Como modalidade
desportiva, institucionalizada em 1972, pelo conselho nacional de desportos, ela
mesma deverá ter um enfoque especial para competição, estabelecendo-se treinamentos
físicos, técnicos e táticos. Capoeira Educação -
Apresenta-se como um elemento importantíssimo para a formação integral do aluno,
desenvolvendo o físico, o caráter, a personalidade e influenciando nas mudanças
de comportamento. Proporciona ainda um auto conhecimento e uma análise crítica
das suas potencialidades e limites. Capoeira Lazer
- Funciona como prática não formal, através das "rodas" espontâneas, realizadas
nas praças, colégios, universidades, festas de largo e etc, onde há uma troca
cultural entre os participantes. Capoeira Filosofia
- Entre muitos fundamentos, trás uma filosofia de vida que prega o respeito ao
próximo e aos mais velhos, estes que por sua vez possuem um grau maior de sabedoria.
Muitos são os adéptos que se engajam de corpo e alma criando dessa forma
uma filosofia de vida, tendo a capoeira como símbolo e até mesmo usando-a para
a sua sobrevivência. CapoeiraTerapia - O esporte
exerce um papel fundamental no desenvolvimento somático e funcional de todo indivíduo.
Para o portador de deficiência, respeitando-se as suas limitações e capacidades,
o esporte tem importância inquestionável. A capoeira vem tendo destaque muito
grande, não só como esporte, mas, no caso dos portadores de deficiência, ela atua,
verdadeiramente, como terapia. Considerando sempre a etapa mental, cronológica
e motora do indivíduo, propicia um desenvolvimento orgânico mais satisfatório,
melhora o tônus muscular, permite maior agilidade, flexibilidade e ampliação dos
movimentos. Auxilia o ajuste postural, bem como o esquema corporal, a coordenação
dinâmica e, ainda, desenvolve a agilidade e força. Vale ressaltar que a capoeira
proporciona a liberação de sentimentos como a agressividade e o medo, levando
o ser humano a adquirir uma condição física mais satisfatória e um comportamento
mais socializado. A Capoeira
hoje Capoeira nas Academias
A capoeira, antes treinada livremente pelos escravos, é agora treinada dentro
das academias. A passagem dos campos de mata aberta para as salas das academias
não foi a única modificação sofrida pela arte. Com a entrada da capoeira nas academias,
algumas modificações ocorreram na capoeira dos escravos do engenho. Além de lugar
fixo para o treinamento, foram implantados também horários para tal. Foi padronizado
um uniforme que consiste em calça branca (representando as calças de saco que
os negros usavam para a lida) e uma corda que deve ser amarrada na cintura da
calça. Alguns grupos que praticam a capoeira Angola utilizam-se
de calça preta. Os capoeiras, ou capoeiristas, agora se dividem em grupos que
carregam um nome que normalmente representa a força negra nos tempos da escravidão.
Comumente, os capoeiristas representam o grupo, ao qual participam, com o símbolo
gravado na calça. Esses grupos ou associações tem por objetivo expandir a arte
da capoeira pelo país, alguns chegando até a levar a nossa arte para o exterior.
A maioria dos grupos de capoeira convivem pacificamente, apesar de cada um interpretar
a capoeira de uma maneira diferente (alguns trabalham a capoeira numa visão mais
folclórica, outros a entendem mais como luta, uns dão maior ênfase a parte esportiva,
outros valorizam principalmente a educação pela capoeira). Como prova do convívio
de amizade entre os grupos, são realizados periodicamente encontros entre eles,
que se reúnem com a finalidade de compartilhar conhecimentos. Graduação
e o Batizado Nos tempos modernos, os capoeiras
são graduados de acordo com os seus conhecimentos e com o tempo de prática nacapoeira.
Cada graduação é representada por uma cor na corda, que é amarrada na calça do
capoeirista. Cada grupo designa um conjunto de cores que irá representar as graduações.
Os indivíduos entram para as aulas de capoeira, em seguida, começam um treinamento.
Nesse período inicial eles são chamados de "pagãos", ou seja, eles não foram ainda
batizados. O batizado de capoeira representa
o momento em que os indivíduos recebem a sua primeira graduação pelo grupo. Nesse
dia eles deixam de ser pagãos, pois durante esse evento é costume entre os grupos
dar um apelido ao capoeirista. O apelido é uma tradição desde os tempos que a
capoeira era considerada uma arte marginal e os capoeiristas eram obrigados a
usar codinomes para não serem identificados, mediante isto, serem presos pela
polícia. O dia do batizado é um dia de grande importância para os capoeiristas,
posto que, nesse dia realiza-se uma festa em que os novos capoeiras são apresentados
a comunidade capoeiristica, jogam com outras pessoas e desfrutam da oportunidade
de até conhecerem os mestres mais antigos. Capoeira
x Violência O jogo de capoeira não possui
mais características violentas, perdeu seu objetivo principal do tempo da escravidão,
que era a luta pela liberdade. Numa roda de capoeira um jogador não tem como finalidade
acertar, ferir, lesionar ou matar o outro jogador. O jogo de capoeira não passa
de uma representação, simbolismo esportivo. Na realidade eles, os capoeiristas,
são companheiros que querem brincar de capoeira, recrear. Eventualmente acontecem
quedas, que são interpretadas como descuido por parte de quem caiu. Importante
ressaltar que o jogo, só atribui este valor recreativo dentro das academias, ou
seja, em seus próprios grupos. Em se tratando de rodas informais, jogos que acontecem
em parques, ruas, praias, a capoeira às vezes, perde o seu atributo de lazer e
encarna o seu valor de capoeira - Luta. Rodas Os
capoeiristas se cumprimentam todas as vezes que entram ou saem de uma roda como
sinal de respeito pelo companheiro. Fazem uma reverência também ao berimbau, pedindo
e agradecendo proteção aos céus. Acontece também um outro tipo de encontro de
capoeiristas chamado "roda de rua". Essas manifestações ocorrem livremente em
praças, ruas e praias. As rodas de rua são gerenciadas por qualquer capoeirista,
independendo da graduação que ele carrega, e são abertas para qualquer um que
queira participar. Normalmente essas rodas são pacíficas, mas como elas são abertas
para o público, alguns capoeiristas acabam querendo resolver suas rixas com outros
capoeiristas nessas rodas, afim de demonstrar superioridade sobre qualquer aspecto. Para
iniciar o jogo da capoeira, os capoeiristas dirigem-se para onde estão os instrumentistas
e agacham-se ao pé do berimbau" afirma Areias (1983, p.96). Durante a roda, que
é comandada por instrumentos como o berimbau, o pandeiro e o atabaque, são entoadas
cantigas que tem seu refrão repetido por todos os participantes da roda. Quem
define as músicas e dita a velocidade do jogo é o tocador de berimbau. O ritmo
começa lento e termina rápido, onde só os capoeiristas mais graduados devem jogar.
Depois da roda, alguns capoeiristas optam por fazer exercícios de força, como
abdominais, flexões de braço ou elevação em barra fixa. Outros treinam saltos
acrobáticos, ou treinam golpes atingindo sacos de areia. A
aula As aulas de capoeira são realizadas em salões abertos
que podem ser espelhados ou não, o que facilita aos capoeiristas a observação
de sua performance. As aulas são normalmente ministradas por capoeiristas de graduações
elevadas, superiores, a maioria deles sem nenhuma formação acadêmica em Educação
Física. "Existem vários métodos de ensino, e cada professor, cada academia, cada
grupo alardeia que o seu é genuinamente original, é o melhor" (Capoeira, 1992,
p.147). Freqüentemente os capoeiristas acabam ministrando
aulas exatamente iguais aos que seus mestres ministram. Na verdade, de uma forma
ou de outra, todos se baseiam na "seqüência" e na "cintura desprezada" criadas
por mestre Bimba, adicionados aos treinos sistemáticos e repetitivos entre duplas
introduzidas pelo Grupo Senzala na década de 1960. Mesmo os que praticam e ensinam
a capoeira angola, que originalmente não tinha métodos de ensino, utilizam variações
adaptadas desses elementos didáticos. Capoeira
Angola, corresponde a capoeira original dos escravos. Geralmente encontra-se
nas academias um programa de treinamento de duas ou três aulas semanais, chegando
a ser encontrado nas academias sede de alguns grupos, treinamentos de segunda
a sábado. A duração da aula varia entre quarenta e cinco minutos
a uma hora e meia. As aulas são divididas em quatro blocos: aquecimento; treino
de golpes, quedas e movimentações individualmente; treinamento de seqüências em
dupla; roda de capoeira. O aquecimento freqüentemente começa com uma corrida,
seguida de seqüências de movimentos calistênicos e um alongamento. "Se alguém
quiser aproveitar para malhar uma abdominal, uma abertura, um alongamento ou exercícios
de elasticidade, tudo bem, mas não é esse o objetivo" (Capoeira, 1992, p.146).
Depois do aquecimento, o segundo bloco da aula corresponde
ao treinamento dos golpes individualmente. As aulas começam com os movimentos
mais simples, passando para os mais complexos e, posteriormente, para a combinação
dos movimentos sequenciados. Esses movimentos compreendem os golpes, as esquivas
e as quedas. O professor indica e executa o golpe ou a seqüência de golpes e os
alunos os executam repetidas vezes e para ambos os lados. Durante a execução dos
movimentos os alunos são observados e corrigidos pelo professor. Nos salões com
espelhos os alunos podem observar a execução dos seus movimentos. O
terceiro bloco da aula corresponde ao treinamento das seqüências em dupla.. Nesta
parte da aula os capoeiristas se encontram sujeitos a receberem os golpes dos
companheiros, porém o risco é menor do que durante o jogo.
O treino em dupla se dá em forma de seqüências coordenadas. O professor dita exatamente
o que deve ser feito e os alunos executam. Para os iniciantes, o professor apresenta
uma seqüência de um golpe e uma esquiva; um dos capoeiristas executa um golpe
enquanto o outro esquiva. Com o tempo de prática essa seqüência aumenta em número
e variações de golpes, associados a floreios e saltos. O jogo
da capoeira é o momento que o capoeirista apresenta o que ele aprendeu durante
a prática. Além de executar os golpes num jogo com um companheiro, entra em jogo
um elemento novo, a surpresa. Não se sabe o que o outro capoeira vai fazer, os
golpes já não são mais ditados pelo professor, por isso o capoeirista deve estar
preparado e atento no jogo do outro para não ser atingido". |