ALGUNS FATOS RELEVANTES DA
DANÇA NO TEMPO.
Baseado em registros feitos pelo homem
através de desenhos de figuras humanas encontrados
nas paredes e tetos das cavernas no Paleolítico, podemos
perceber que o homem já dançava. O homem primitivo
dançava por inúmeros significados: caça,
colheita, alegria, tristeza, exorcizar um demônio, casamento,
homenagem aos deuses, à natureza, etc. O homem dançava
para tudo que tinha um significado, sempre em forma de um
ritual. Podemos dizer que a dança é a arte mais
antiga que o homem experimentou e a primeira arte a vivenciar
com o nascimento.
E como tal, o homem e a dança evoluíram
juntos nos movimentos, nas emoções, nas formas
de expressão e na arte de transformar os seres deste
mundo.
Também evoluíram em conceitos,
nos fatos sociais e culturais que a dança juntamente
com o homem mostravam através da plasticidade harmonioza
a intenção dos anseios e necessidades da humanidade.
Dessa forma, caminharam juntos revelando através da
história a relação do homem com o mundo
e seus diferentes modos de vida.
Em todas as etapas pela qual a dança
passou: expressão de magia, ritual, cerimonial, expressão
popular e também no prazer de se divertir, estava sempre
envolvida com a forma de manifestação das vivências
do homem no mundo e das influências que o mundo lhe
apresentava. Na passagem Bíblica, Lucas 15, 25 podemos
encontrar uma confirmação da influência
da dança nas manifestações do homem,
"O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se
da casa, ouviu a música e as danças".
No evoluir das formas de dançar mito
e história, a dança foi se misturando no cenário
das antigas civilizações e se diversificando
em muitas formas de expressão e interpretação.
Dança Cósmica (Euripedes 485-406 A.C., se refere
a "etérea dança das estrelas"), Ilíada
e Odisséia com as danças funerárias,
bélicas, matrimoniais e agrícolas, a Dança
de Shiva, as danças para Calígula, Nero e Cômodo,
as danças do Império Chinês e tantas outras
presentes na evolução histórica da humanidade,
foram deixando através dos tempos suas raízes
e a possibilidade de outras civilizações poderem
estudá-las ou até mesmo apreciá-las.
Mas agora façamos um salto para o
século XX, é claro que a dança teve sua
história até chegar aqui, porém, não
é proposta desta pesquisa uma História da Dança,
mas sim, um breve posicionamento de sua evolução,
com finalidade de localização e análise
das tendências que influenciaram e mantiveram a dança
viva, apesar das condenações e repressões
que ela sofreu em sua caminhada no convívio com a cultura
das civilizações pela qual ela foi passando.
No início do século XX os
mestres do balé eram franceses e italianos, sendo o
mais importante Marius Petipa (filho do balé romântico).
Nesta época produziu A Bela Adormecida. Em 1905, o
público já aclamava por algo novo, mais original.
Foi quando surgiu Michel Fokine (aluno de Petipa). Veio influenciado
pelas obras de Tolstoi e buscou formas de movimento que tivessem
mais vida. Para comprovar seu pensamento apareceu Isadora
Duncan (falaremos mais adiante) ,abandonando as sapatilhas
e tendo como inspirações movimentos das Antigas
Civilizações. Nesta época, tínhamos:
Anna Pavlova, Tâmara Karsavina e Vaslov Nijinski.
Em 1913, Anna Pavlova e Tâmara Karsavina,
dançavam nos balés coreografados Fokine.
George Balanchine - Inicia a geração da Dança
Abstrata (dança sem uma história, onde o movimento
é um contraponto escultural à música.)
Iniciou os seus estudos em 1913 e em 1934 foi para o EUA,
modificando seu estilo. Seu estilo ficou mais exato, linhas
alongadas, uso extensivo do espaço, energia e velocidade
aumentada. Em 1948, Balanchine funda sua Companhia, "The
New York City Ballet", produzindo uma nova geração
de dançarinos. Para Balanchine, a dança era
a essência da emoção. Era contra o balé
narrativo, em 1962, desenvolveu uma dança que não
era preciso história. A própria dança
era o enredo.
Ruth Saint-Denis - Tinha um temperamento
místico e encontrou sua inspiração nos
movimentos exóticos e religiosos. Ela dizia: "A
Dança revela a alma". Ruth St. Denis formou sua
escola juntamente com Ted Shaw (seu marido), Escola Denishawn.
Sua cultura era eclética. Ensinava-se tudo que era
relativo ao palco e à apresentação, a
música, as danças tradicionais e o balé,
e os gestos dramáticos baseados no sistema Delsarte.
Ted Shaw resumiu a filosofia de sua escola nestas palavras:
"Todo o movimento humano era o sujeito de nossa pesquisa
e não apenas o corpo Ocidental". Algumas
alunas de Ruth St. Denis tornaram-se alicerce da Dança
Moderna, são elas: Martha Graham e Doris Humphrey.
Ted Shawm considerava que a dança
deveria estar no centro da educação escolar
e universitária e que ela era a raiz viva e carnal
de toda cultura. É absurdo, dizia ele, levar uma criança
a uma sala de aula e dizer-lhe: agora, vou formar sua inteligência;
depois levá-la ao ginásio e dizer-lhe: agora,
vou formar seu corpo; para em seguida, levá-la à
igreja e dizer-lhe: agora vou formar sua alma. O homem é
uno. Dividi-lo é mutilá-lo.
Émile Jacques Dalcroze - Criou o
método Eurritimia (método de coordenação
musical com movimentos corporais - Ginástica Rítmica)
Rudolf Von Laban - Preocupava-se em expressar
as emoções através do movimento do corpo
humano, para ele este movimento era a manifestação
exterior de um sentimento interior. Criou o icosaedro ( o
aluno se movimenta dentro dessa noção de espaço),
coreografias dançantes (vários bailarinos realizando
o mesmo movimento) e a labanotação (memorização
dos movimentos através de gráficos ou símbolos).
Laban multiplicou os movimentos mas o dançarino permaneceu
centrado. Componentes essenciais para a dança segundo
Laban: espaço, tempo e peso. A Dança evoluíra
em um espaço plano limitado pela platéia. Laban
eliminou isto e devolveu ao espaço a sua profundidade.
Ele concebeu o movimento através do espaço em
um volume cuja forma seria um icosaedro, ou seja, um volume
com múltiplas direções.
O espaço tornou-se um parceiro móvel
para o dançarino, movendo-se ao mesmo tempo. Depois
tratou do ritmo e do tempo do movimento: rápido ou
lento, breve ou sustenido. Sem os limites da música,
a métrica de um poema ou apenas o silêncio bastavam.
O movimento ficou livre do tempo. Finalmente tratou do peso.
O bailarino clássico lutava contra a força da
gravidade através do equilíbrio e da força
ascensional. Laban fez uso do peso. Ele determinava a dinâmica
do movimento e as mudanças contínuas entre o
equilíbrio e o desequilíbrio.
Através de estudos e observação
Laban percebeu que para cada contração muscular
havia um relaxamento e a partir daí libertou o movimento
de todas suas restrições, liberou o espaço,
os passos cadenciados e partiu em busca de uma harmonia total
entre corpo e alma através do movimento.
Doris Humphrey - Suas coreografias tinham como propósito
a denúncia da sociedade. Sua coreografia de maior sucesso
foi "Inquest" em 1944. Foi aluna da escola Denishawn
e nos seus estudos dedicou-se a coreografias solos, explorando
o espaço e desafiando o equilíbrio do bailarino.
Sua técnica tinha um princípio básico:
para toda queda havia uma recuperação e o movimento
se desenvolvia entre duas formas de desequilíbrio.
"O movimento", ela dizia, "é um arco
entre duas mortes". Inspirava-se no idealismo social
da época e o movimento em si era sempre o mais importante.
Maurice Bejart - Retratou seus medos, testemunhou sua solidão
e as realidades sociais da época em coreografias solo.
Dizia: "Quero chocar para acordar e conscientizar as
pessoas". "Para mim, a base da dança clássica
é indispensável para adquirir o conhecimento
do corpo". Com ele, as danças finalmente se libertaram
do círculo fechado do público de teatro, realizando
suas apresentações em estádios de futebol.
Palavras de Bejart: "Não há um criador
completo. Usamos uns aos outros. Cada um usa, come, devora
e transforma. Somos como canibais que devoram seus ancestrais".
A dança de Maurice Bejart era uma
dança prospectiva, ou seja, dançava sempre o
futuro, ou melhor, o que ele achava que estava por vir. Mas
não que ele negasse o passado, ele aproveitava o passado
para deduzir o futuro.
Mary Wigman - Foi aluna de Jacques Dalcroze e seus movimentos
sempre tinham que estar associados à música
e seus solos sem música não comoveram Dalcroze.
Tornou-se então, aluna de Laban para depois se tornar
sua assistente, pois ambos acreditavam na inspiração
do movimento em si, e não na música. Wigman
disse: "Laban criou para a dança aquilo que é
harmonia na música. Ele usou as leis do espaço
como ponto de partida, uma base para a criação
das danças". As coreografias de Wigman eram caracterizadas
por gestos decididos, simples e estilizados.
Willian Forsythe - Era chamado de Balanchine contemporâneo,
pois provocava muita paixão com sua dança. Dizia:
"Estudei numa escola de Long Island, fora de NY e ouvia
rock'roll todo dia no rádio e dançava com a
geladeira, sabe, na cozinha. Eu assistia a televisão
e Fred Astaire o tempo todo. De Balanchine, gostaria de ter
sua legibilidade." E na escola de Joffrey Ballet recebeu
treinamento clássico com professores que haviam sido
dançarinos de Balanchine. Também se interessou
pelo sistema de Laban, imaginando pontos de partida em potencial
de qualquer lugar do corpo. Costumava dizer nos treinamentos:
"O que percebemos como tridimensional pode ser traduzido
para o nosso interior. Trabalho em materializar formas que
se manifestam nas mentes dos dançarinos de acordo com
o que sabem". O que realmente lhe interessava era o movimento
da articulação, a desestabilização
e a descentralização.
Kurt Joss - Sua personalidade era mais marcante que sua técnica
e por esse motivo Laban o inscreveu na companhia. Passou a
se concentrar na expressão do movimento e seu trabalho
baseado nas teorias de Laban. Suas coreografias eram amostras
claras de uma crítica à ordem social. No ano
de 1932, na coreografia "Big City" levantou a questão
da diferença social. Nessa coreografia, trabalhadores
(pessoas comuns), dançavam uma antiga valsa e a burguesia
um Charleston da moda.
Com a entrada dos anos 30 a Dança
Moderna começou a se destacar em relação
ao Balé Clássico. Iniciava-se a história
da Dança Moderna, pela primeira vez ela ganhou público
nos teatros e nas óperas.
Nessa mesma década NY tornou-se a capital da dança.
Surgiu a música e a dança negra, não
que ela não existisse, mas agora estava ganhando espaço
na sociedade preconceituosa. Os clubes noturnos foram invadidos
pela dança negra, o Jazz e o sapateado. Muitas casas
noturnas, teatros , foram abertos. A Dança Moderna
tinha vindo para ficar.
Paralelamente ao sucesso da Dança
Moderna, a Dança Expressionista Alemã também
começou a se destacar, para isso, elas tiveram que
deixar para traz tudo o que já faziam e tinham
como princípio e buscaram sua própria identidade.
A partir daí, novos nomes começaram a se destacar,
são eles: Isadora Duncan e Martha Graham
Pina Bausch - Foi responsável pela transformação
da dança alemã e também líder
do movimento renascentista. Suas coreografias eram relacionadas
com veracidade e realidade, em 1973, uniu a dança ao
teatro (hoje temos o nosso Baleteatro), fundando o "Wuppertal
Tanztheater".
José Limon - Dançarino e coreógrafo mexicano,
desenvolveu um estilo próprio, produzindo peças
dramáticas, criando um teatro dançante, relatando
fatos do cotidiano mexicano.
Isadora Duncan - Trouxe um nova técnica, buscou nos
fenômenos da natureza os modelos de movimento que formavam
sua dança. Para ela, era um momento de contato com
a vida. Ela acreditava que a dança tinha o poder da
comunicação e comunhão e tinha como missão
fazer da dança a liberação da essência
do ser.
Ela costumava dizer que a dança é
a base de toda uma concepção da vida mais flexível.
mais natural. Não são passos pré-determinados,
mecânicos, é claro que são necessários
para um treinamento, mas para um treinamento. Os passos são
meios e não o fim.
Não deixou uma escola ou uma doutrina,
simplesmente trouxe o início de uma nova geração
da dança, a Dança Moderna.
Martha Graham - Ao contrário de Isadora
Duncan, utilizando as palavras de Garaudy, ela "não
quis se identificar com os ritmos da natureza: 'Eu não
quero ser uma árvore, uma flor, uma onda ou uma nuvem.
No corpo de um bailarino devemos, como espectadores, tomar
consciência de nós mesmos. Não devemos
procurar uma imitação das ações
cotidianas, dos fenômenos da natureza ou de criaturas
exóticas de outro planeta, mas sim alguma coisa deste
milagre que é o ser humano motivado, disciplinado e
concentrado. A vida, contrariamente à puritana, é
uma aventura, uma forma de expansão do homem que exige
extrema sensibilidade para ser realizada com graça,
com dignidade e com eficácia... O corpo e alma estão
implicados de forma indivisível nesta experiência
da vida, e a arte pode ser vivida por um ser total. Só
uma sensibilidade apurada e exaltada realiza esta concentração
no instante que é a verdadeira vida". Foi
uma das principais representantes da Dança Contemporânea
nos EUA. Tinha como objetivo desvendar a alma humana. Ela
dizia de seu próprio corpo: "os séculos
e seus eventos passaram por ele. Como os pintores e arquitetos
modernistas eliminamos qualquer elemento decorativo ou supérfluo
da nossa forma de expressão". Sua técnica
de trabalho era voltada para a respiração, inspiração-contração,
expiração-relaxamento; e também voltados
para o idealismo social e por uma forma melhor de vida.
Muitas coisas se passaram no trajeto de
sua carreira, mudança social, moda, gerações,
e Martha sempre criando novos trabalhos, acompanhando todas
essas mudanças. Dirigiu sua companhia até a
morte (1991), e aos 80 anos de idade criou "Acts of Light".
Alwin Nikolais - Baseou-se nos estudos de Matha Graham e Doris
Humphrey, suas principais criações foram Kaleidoscope
(1956) e Galaxy (1956). Retirou o conteúdo psicológico
e social do expressionismo alemão, tornando o corpo,
um elemento dentre muitos no teatro. Sua teoria de movimento:
o centro era móvel e localizado em qualquer ponto do
corpo.
Alvin Ailey - Sendo negro, suas peças
tinham muito a ver com a cultura negra, foi o primeiro de
sua cor a ser reconhecido internacionalmente.
Trisha Brown - Inspirava-se no cotidiano, nos gestos do dia-a-dia
em situações inesperadas. Mandava seus dançarinos
para as ruas, para os telhados, para os lagos, enfim, fazia
com que seus dançarinos vivenciassem com mais atenção
o cotidiano que os cercavam. Suas coreografias combinavam
fluidez e construção de movimento. Ela dizia:
"As estruturas estão lá para serem derrubadas.
A minha dança é inesperada, improvável
contínua".
A partir daqui entramos numa época
de explosão da dança no tempo, aos poucos a
dança foi se libertando do único papel que ela
teve nos últimos três séculos - diversão
- e se tornou uma arte à parte, em que seus movimentos
tornaram-se essencialmente vinculados ao mundo exterior.
Os anos 60 foram um período muito
especial na Europa com as escolas Folkswangschule em Essen
e de Françoise e Dominique Dupuy na França,
cujos temas retratavam o racismo, a segregação
e protestos contra as guerras.
Paralelamente, na América, ocorreu a libertação
da dança do expressionismo alemão promovendo
a Dança Contemporânea. Com a chegada dos anos
70, os americanos presenciaram o triunfo do modernismo e logo
depois, o pós-modernismo.
A partir de então, muitos coreógrafos
rumaram para NY e se juntaram a Merce Cunningham, Alwin Nikolais
e Steve Paxton.
A Dança Americana juntamente com
o Expressionismo alenão e o neoclassicismo de Maurice
Bejart deram suporte a Dança Contemporânea que
ganhou espaço a partir dedssa época.
No meio de tudo isso, duas americanas, Susan
Biurge e Carolyn Carison, mudaram-se para Paris levando para
os europeus a descoberta de novas técnicas e uma nova
forma de aproveitar os movimentos do corpo - a improvisação.
Carolyn Carison - Foi nomeada por Liebermann em 1974, a primeira
bailarina da Ópera de Paris. Carison, desenvolveu uma
dança estruturada e fluída, tensa e controlada.
Susan Biurge - Foi treinada por Nikolais,
seguindo os princípios da coreografia arquitetural.
Era fascinada por esculturas e vídeo,defendeu uma dança
livre de artifícios onde os gestos eram um a um modificados
seqüencialmente.
No início dos anos 80 os coreógrafos
europeus haviam dominado os debates intelectuais definidos
pelo estruturalismo, a semiologia e a psicanálise.
Influenciada pela cultura do final do século
20, a dança começou a eliminar as estruturas
tradicionais, para dar lugar a expressão individuais.
Mas a Dança não tinha os meios financeiros.
Em 1981, o Presidente Mitterand foi eleito e dolerou o orçamento
para as artes e a dança recebeu seu próprio
departamento no Ministério da Cultura. Anteriormente
a pesquisa da dança era restrita aos fundos dos estúdios,
mas agora saía da sua posição marginal,
para fazer sua própria história e reunir um
grupo variado que se tornaria a futura geração
de artistas.
A partir daqui a dança tornou-se
internacional bem representada pelos franceses. Os gestos
tornaram-se a linguagem do dia-a-dia e deixou para traz
tudo que era antiquado.
No entanto, como nem sempre tudo está
aberto a mudanças, alguns não abandonaram suas
raízes anteriores e se negaram a participar do novo
estágio que a dança adentrava, tornando-se autodidatas.
Maguy Marin - Aluna de Maurice Berjat, costumava dizer: "Nossos
grandes mestres são a vida, as ruas, o metrô,
tudo o que acontece à sua volta". - Marin propôs
uma teatralidade suntuosa inserida numa dança essencialmente
estruturada. Em suas coreografias mostrou
o mundo cruel da humanidade, apresentando corpos rastejantes,
torturados, desequilíbrio da alma e sua ligação
com o mal.
Jean Claude Galotta - Sua dança tornou-se popular no
ano de 1983, fazia parte da companhia Emil Dubois. Seu trabalho
não possuía regras, o corpo não tinha
uma posição dada como certa na dança
e os gestos todos considerados grosseiros, comuns. Dizia:
"Tenho a impressão que as artes vibram com a época.
Creio no inconsciente coletivo e que a modernidade cria suas
formas, seus artistas e nós nos submetemos. Não
gostava da dança. Descobri muito depois. Na história
das artes, a dança era a que menos me interessava.
Foi engraçado, pois fui praticamente escolhido para
continuar nesta profissão. Acho que há uma força
que não controlamos, e não falo de nenhuma divindade
mas de forças criadas pelo Homem. Acho que a arte é
isso: um gesto, mas não como antes muito ilustrativo
e simbólico".
Dominique Bagouet - Sua linguagem da dança
também era o dia-a-dia. Seus movimentos eram uma espécie
de caligrafia tenso, vibrantes, múltiplos e complexos.
Em 1992 , auge de sua carreira, foi acometido pela AIDS.
François Verret - Desenvolveu um trabalho forte, influenciado
pelo estado da humanidade, seus gestos eram frutos das necessidades
internas.
Mathilde Monnier - Interessou-se pelas relações
entre homens e mulheres. Inspirou-se nas danças de
rua de NY e estudou com Michel Hallet e Viola Farber. É
considerada uma das mais criativas coreógrafas contemporânea
e aproveitando esse dom, desenvolveu uma dança flexível,
delicada e brutal ao mesmo tempo.
Uma observação importante
que vale a pena destacar é que alguns coreógrafos
se interessaram por trabalhar com crianças. Em algumas
escolas de periferia, trabalharam num projeto a longo prazo
na intenção de despertar nas crianças
a visão de ser livre e saber ser livre.
Podemos observar, após esse relato,
que a dança foi uma forma de expressão de vários
acontecimentos que marcaram época na humanidade, deu
um grande salto, e das paredes limitadas de um teatro, buscou
o seu espaço no mundo exterior, demonstrando nossas
energias, anseios e luta. Abandonou seus valores tradicionais
- técnica, diversão e narrativa - e enfrentou
as transformações políticas, sociais
e morais.
Então podemos dizer que a dança
é a arte do movimento e que a partir dela o homem pode
demonstrar papéis sociais e também desempenhar
relações dentro de uma sociedade seja ela qual
for.
E ao amanhecer do século 21, dispomos
de muitos artistas e pesquisadores dançando a realidade
do Homem, se preocupando com os sinais dos tempos e desenvolvendo
métodos para integrar - mundo, Homem , dança
e educação - tendo a certeza que este seja o
único caminho contra o conformismo para as coisas que
ainda virão.
Profª Ms. Érica Verderi - FEFISO/ACM
verderi@cy.com.br
