OS BENEFÍCIOS DO BASQUETE PARA
O DESENVOLVIMENTO FÍSICO DA CRIANÇA Autor: GUSTAVO
HENRIQUE BITTENCOURT ANTONIALLI Orientador:
LUIZ PEDRO ABICHABKI NETTO RESUMO
INFORMATIVO O trabalho
se deu com uma bateria de testes que foram: impulsão vertical, impulsão
horizontal, agilidade e velocidade. A primeira bateria foi realizada no final
de agosto e a reavaliação foi realizada no final de novembro. Foi
feita a uma comparação de dados e onde foi constatado que houve
uma melhora de todos os resultados, fora dois alunos que não obtiveram
melhoria em apenas um item. Com isso, constata-se que o basquete contribui para
o desenvolvimento das aptidões físicas das crianças. 1-
INTRODUÇÃO O
basquetebol surgiu da necessidade de proporcionar aos alunos do Instituto Técnico
de Springfield, Massachusetts, EUA, uma atividade física durante o inverno,
que não fosse somente ginástica, pois a mesma não conseguia
despertar o interesse dos alunos. Não foi criado em uma noite, ele foi
fruto de um intenso trabalho e dedicação do professor James Naismith.,
e ele teve seus fracassos, o primeiro foi quando pretendeu utilizar os jogos que
havia brincado quando criança. Depois tentou modificar as regras dos esportes
que eram praticados com freqüência pelos estudantes no verão,
o Futebol Americano e o Atletismo, mais uma vez não teve sucesso. Foi quando
Naismith notou que deveria criar um jogo, esse totalmente novo. Naismith então
criou um jogo no qual a bola, maior do que o já conhecido, deveria ser
lançado em alvos colocado a cerca de 3 metros de altura do solo, esses
alvos eram cestos de pêssegos e por esse motivo que o professor nomeou essa
atividade de BASKETBALL que etmologicamente significa bola ao cesto. Estava criado
em 1891 o esporte que rapidamente se alastraria pelo mundo. Naismith
elaborou juntamente com os jogos cinco princípios fundamentais que tornaram
o jogo exclusivo, são eles: 1.A bola será, grossa leve
e esférica devendo ser jogada com as mãos; 2.Todo jogador poderá
se colocar em qualquer parte do terreno, podendo receber a bola a qualquer momento;
3.Ele será proibido de correr com a bola ; 4.As duas equipes jogarão
em conjunto sobre o terreno, mas todo o contato entre os jogadores é proibido;
5.O alvo (objetivo) será elevado, horizontalmente e de pequena dimensão
para que o arremesso seja feito com mais habilidade do que força. Estava
criado um novo jogo, dinâmico e atrativo que ia sendo adaptado as necessidades
que surgiam, uma dessas foi o numero de jogadores por equipe, que no inicio variava
entre 3 e 40 e que em 1897 veio a ser fixado em 5, começava a surgir o
nosso BASKETBALL . Em 1896 foi praticado no Brasil, sendo
introduzido pelo professor F. Shaw, do colégio Mackenzie, com isso o Brasil
se tornava o primeiro país da América do Sul a conhecer o Basquete.
A aceitação nacional do novo esporte veio através do
Professor Oscar Thompson, na Escola Nacional de São Paulo e Henry J. Sims,
então diretor de Educação Física da Associação
Cristã de Moços (ACM), do Rio de Janeiro. Em 1912, no ginásio
da rua da Quitanda nº 47, no centro do Rio de Janeiro, aconteceram os primeiros
torneios de basquete. Henry Sims, convenceu os dirigentes do América a
introduzir o basquete no clube da rua Campos Salles, no bairro da Tijuca. O plano
vingou e o América foi o primeiro clube carioca a adotar o basquete.
2- OBJETIVOS Através de
testes realizados com os alunos das escolinhas de basquete de Casa Branca, o objetivo
deste trabalho é: a) Descobrir se o basquete, para crianças
de 8 a 13 anos, ajuda no desenvolvimento de suas aptidões físicas;
b) Descobrir se houve melhora das aptidões físicas (força
muscular) após um período de 3 meses; c) Mostrar se as escolinhas
de basquete de Casa Branca estão atingindo alguns de objetivos, fora a
socialização, tirar as crianças das ruas, etc.;
Os teste realizados serão: teste de impulsão vertical, horizontal,
velocidade e agilidade (Shuttle Run); que são algumas habilidades físicas
utilizadas no jogo de basquete. 3- MATERIAL E MÉTODOS 3.1-
População A população
consiste em um grupo de 19 garotos de 1 das 12 escolinhas de basquete de Casa
Branca, na faixa etária de 6 a 14 anos, onde alguns fazem as aulas há
mais tempo, outros há menos tempo. 3.2-
Programa de treinamento das aulas As
aulas já são ministradas desde o começo do ano, mas constará
no trabalho um programa de aproximadamente 3 meses, onde será trabalhado
2 vezes por semana durante 2 horas/dia. Sua seqüência consiste:
Primeiro era feito um aquecimento seguido de um alongamento.
Após esse alongamento eram trabalhados os fundamentos do basquete, como:
manejo de corpo, manejo de bola, drible, passe, giros, fintas, arremessos, bandeja,
etc. Após isso era dado uma dinâmica de jogo, colocando em prática
os fundamentos treinados. 3.3- Levantamento das
habilidades físicas do basquete que foram alvo dos testes Esse
levantamento foi feito levando-se em conta algumas habilidades físicas
que são utilizadas em um jogo de basquete. Das muitas habilidades utilizadas,
foram escolhidas as seguintes: impulsão vertical, horizontal, agilidade
e velocidade. Não se foi levado em conta as habilidades específicas
do jogo, como passe, arremesso, drible, etc. Após as duas baterias
de testes, fez-se uma comparação para averiguar se houve melhora
ou piora de tais habilidades. 3.4- Bateria de testes
3.4.1- Teste de impulsão vertical - Objetivo: Medir
a força muscular dos membros através de seu desempenho em se impulsionar
verticalmente. - Material: · 1 fita métrica de metal ou
tecido fixada verticalmente de maneira descente; · Pó de giz
ou magnésio para marcar os dedos; · 1 cadeira; ·
Material para anotação. - Procedimento: Impulsão
vertical sem ajuda dos membros superiores: o avaliado coloca-se em pé,
os calcanhares ao solo, corpo lateralmente a parede, membros superiores elevados
verticalmente. Considera-se o ponto mais alto a mão dominante comparada
à fita métrica. Após a determinação do ponto
de referência a avaliada se afasta com relação a parede para
realizar uma série de dois saltos, mantendo os membros superiores elevados
verticalmente, obedecendo a voz de comando "Atenção!, Já!",
ele executa o salto tentando com as polpas distais da mão dominante com
pó de giz ou magnésio tocar o ponto mais alto da fita métrica.
O braço tem que se manter elevado. Impulsão
vertical com a ajuda dos membros superiores: será efetuado o mesmo procedimento
para determinação do ponto de referência, porém só
o braço dominante será elevado verticalmente. Após isso,
o avaliado se afasta no sentido lateral, para poder realizar uma série
de dois saltos sendo permitido o movimento de braços e tronco, ficando
o restante do movimento idêntico ao anterior. Serão registradas as
marcas atingidas pelo aluno avaliado a cada série de saltos. O
teste utilizado neste trabalho foi o de impulsão vertical com a ajuda dos
membros superiores, onde foram realizados 2 saltos, sendo registrado o melhor. -
Precauções: 1. Invadir o salto se for procedido de marcha, corrida
ou outro e olhar o movimento dos braços se não for permitido;
2. Verificar se o braço está efetivamente elevado, e sem flexão
do quadril, joelho e tornozelo no momento de determinação do ponto
de referência; 3. O avaliador deve ficar sobre uma cadeira para melhor
observação. 3.4.2- Teste de impulsão horizontal
- Objetivo: Medir a indiferença da força muscular dos membros inferiores
através do impulso horizontal. - Material: · Fita métrica;
· 1 esquadro; · Material para anotação.
- Procedimento: O avaliado se coloca com os pés paralelos no ponto de partida,
onde através da voz de comando "Atenção!, Já!",
o avaliado salta no sentido horizontal, com impulsão simultânea de
ambas as pernas, objetivando a ponta mais distante da fita métrica. É
permitida a movimentação de tronco e membros. Foram realizados
2 saltos, sendo registrada a marca feita pela parte anterior do salto.
- Precauções: 1. Invadir o salto caso ele seja precedido de
marcha, corrida ou deslize após a queda; 2. Saltar longe da fita dificultando
a medição. 3.4.3- Teste de agilidade (Shuttle Run)
- Objetivo: Avaliar a agilidade dos alunos. - Material: · 2 blocos
de madeira (5cmx5cmx10cm); · 1 cronômetro; · Espaço
livre de obstáculo; · Material para anotação. -
Procedimento: Constam de duas linhas paralelas traçadas ao solo em uma
distância de 9,14 metros marcados pela borda externa, onde serão
colocados dois blocos de madeira, a aproximadamente 10cm da linha externa, deixando
30cm de espaço entre os dois. O avaliado se coloca no sentido antero-posterior
das pernas, e com a voz de comando "Atenção!, Já!",
o avaliado inicia o teste. Ele corre na maior velocidade possível e pega
um dos dois blocos, retornado ao ponto de partida. Em seguida, sem interromper
a corrida, ele volta e pega o outro bloco de madeira. O cronômetro é
parado quando o avaliado coloca o último bloco no solo e ultrapassa com
pelo menos um dos pés a linha final. Cada avaliado
realiza duas tentativas, com intervalo mínimo de 2 minutos, permitindo
a recuperação do ATP-CP. - Precauções:
1. As linhas demarcadas no solo são incluídas na distância
de 9,14 metros; 2. O avaliado deverá colocar o bloco no solo, não
joga-lo; 3. O cronômetro só é parado quando o segundo
bloco e pelo menos um dos pés tocarem a linha de chegada; 3.4.4-
Teste de velocidade - Objetivo:
Medir, de maneira indireta, a potência anaeróbica alática,
pois como sabemos, o pico máximo do metabolismo do ATP-CP é alcançado
aos 10 segundos de atividade física; e também é em torno
desse tempo que percorremos os 50 metros. -
Material: · Cronômetro preciso; · Local sem obstáculo
e que possua, além dos 50 metros, um espaço suficiente para a saída
(1 metro pelo menos) e outro para a chegada (15 a 20 metros); · Material
para anotação. -
Procedimento: Para realizarmos esta medida, devemos explicar ao avaliado que teste
máximo, ou seja, deve sair na máxima velocidade e passar a faixa
de chegada também na máxima velocidade. A posição
de saída é em afastamento antero-posterior das pernas e com o pé
da frente o mais próximo possível da faixa. A voz de comando "Atenção!,
Já!"; o avaliado deverá se preparar ao escutar a palavra "Atenção"
e sair correndo quando escutar a palavra "Já". Então,
de posse do cronômetro, o avaliador se colocará na linha de chegada
e comandará o teste com as já ditas palavras, acionando o cronômetro
no momento em que estiver pronunciando a palavra "Já" e parando
no momento em que o avaliado cruzar a faixa de chegada. Caso ocorra qualquer problema
no teste e tenha que ser repetido, aconselhamos um intervalo mínimo de
5 minutos. O avaliado ao realizar o teste deverá estar trajando tênis,
calção e camiseta. Sempre que formos executar reavaliações,
devemos tentar manter as mesmas condições do primeiro teste, como
solo, horário, cronômetro, etc., para não chegarmos a um resultado
que não corresponda à realidade. Foram permitidas 2 tentativas e
o resultado do teste é o tempo de percurso dos 50 metros, com precisão
de décimo de segundo. - Precauções:
1. Explicar com calma o teste quando se tratar de crianças ou pessoas que
não estão acostumadas a correr. Reforçar a idéia de
que o teste deve ser realizado na máxima velocidade, devendo o avaliado
passar pela faixa de chegada na maior velocidade possível; 2. O cronômetro
deve ser acionado no momento em que se estiver pronunciando a palavra "Já"
e não quando a criança iniciar o movimento; 3. Desaconselham-se
sinais de comando com o braço ou bandeira, pois não permitem uma
boa precisão de início do teste; 4. Observar para que nada atrapalhe
o avaliado a correr com pessoas passando no percurso do teste, aglomerado perto
dele na saída ou chegada, local escorregadio, etc; 5. Quanto ao aquecimento,
consideramos sem necessidade, principalmente tratando-se de crianças. No
entanto quando se tratar de atletas acostumados a se aquecerem, o mesmo poderá
ser realizado normalmente. Nesse caso devemos dar um pequeno intervalo de 2 minutos
entre o final do aquecimento e o início do teste permitindo assim a reposição
dos estoques de ATP-CP. 4- RESULTADOS
FINAIS DA PRIMEIRA BATERIA DE TESTES
| NOME
| IDADE
|
IMPULSÃO VERTICAL |
IMPULSÃO HORIZONTAL
| AGILIDADE
|
VELOCIDADE | |
Adalberto |
11 |
0,31 |
1,64 |
12,30 |
10,62 |
| Carlos
Alberto |
14 |
0,50 |
1,60 |
12,00 |
10,38 |
| Danilo
|
10 |
0,22 |
1,29 |
12,50 |
11,00 |
| Denílson
|
11 |
0,22 |
1,13 |
11,81 |
10,93 |
| Denis
|
10 |
0,39 |
1,83 |
10,72 |
9,66 |
| Diego
|
12 |
0,54 |
1,60 |
11,12 |
9,04 |
| Diego
César |
10 |
0,31 |
1,13 |
12,13 |
10,50 |
| Everton
|
11 |
0,40 |
1,86 |
10,69 |
9,75 |
| Guilherme
|
08 |
0,27 |
1,41 |
12,59 |
10,35 |
| João
Paulo |
11 |
0,19 |
1,36 |
12,63 |
10,59 |
| Luciano
|
12 |
0,31 |
1,37 |
12,38 |
10,19 |
| Paulinho
|
08 |
0,28 |
1,15 |
15,14 |
11,12 |
| Ricardinho
|
10 |
0,15 |
0,95 |
14,40 |
12,78 |
| Richard
|
09 |
0,21 |
1,22 |
14,00 |
11,62 |
| Serginho
|
06 |
0,13 |
0,90 |
14,13 |
11,94 |
| Silas
|
11 |
0,24 |
1,35 |
12,91 |
11.66 |
| Thiago
|
11 |
0,31 |
1,36 |
11,56 |
10,04 |
| Ubirajara
|
10 |
0,29 |
1,41 |
12,59 |
10,78 |
| Vinícios
|
09 |
0,23 |
1,30 |
13,22 |
12,13 |
5- RESULTADOS FINAIS DA SEGUNDA BATERIA DE TESTES
| NOME
| IDADE
|
IMPULSÃO VERTICAL |
IMPULSÃO HORIZONTAL
| AGILIDADE
|
VELOCIDADE | |
Adalberto |
11 |
0,35 |
1,76 |
10,94 |
10,00 |
|
Carlos Alberto |
14 |
0,44 |
1,68 |
10,98 |
10,22 |
| Danilo
|
10 |
0,26 |
1,33 |
12,22 |
10,63 |
| Denílson
|
11 |
0,25 |
1,19 |
11,72 |
10,75 |
| Denis
|
10 |
0,40 |
1,94 |
10,56 |
9,47 |
| Diego
|
12 |
0,55 |
1,63 |
10,69 |
9,00 |
| Diego
César |
10 |
0,37 |
1,63 |
11,28 |
10,12 |
| Everton
|
11 |
0,46 |
1,97 |
10,41 |
9,53 |
| Guilherme
|
08 |
0,31 |
1,51 |
10,33 |
9,53 |
| João
Paulo |
11 |
0,22 |
1,41 |
12,54 |
10,04 |
| Luciano
|
12 |
0,33 |
1,65 |
11,35 |
9,97 |
| Paulinho
|
08 |
0,28 |
1,34 |
15,00 |
10,97 |
| Ricardinho
|
10 |
0,18 |
1,10 |
13,90 |
12,50 |
| Richard
|
09 |
0,27 |
1,33 |
12,75 |
11,00 |
| Serginho
|
06 |
0,14 |
0,95 |
13,75 |
11,69 |
| Silas
|
11 |
0,29 |
1,75 |
11,93 |
10,97 |
| Thiago
|
11 |
0,37 |
1,67 |
10,78 |
9,63 |
| Ubirajara
|
10 |
0,31 |
1,51 |
12,31 |
10,62 |
| Vinícios
|
09 |
0,25 |
1,33 |
12,94 |
11,81 | 6-
DISCUSSÃO Todos os teste
foram realizados dando-se 2 tentativas para cada crianças. Foram registrados,
nas duas tabelas acima, apenas os melhores resultado dessas 2 tentativas. As crianças
foram avaliadas uma a uma. As condições climáticas e
do solo estavam praticamente as mesmas e os materiais utilizados foram os mesmo
nas duas baterias de testes. Algumas crianças, por problemas internos,
não obtiveram alta melhora na performance. 7- CONCLUSÃO
Analisando-se com cautela os resultados
dos testes podemos perceber que a grande maioria das crianças obteve melhora
de suas aptidões físicas. Apenas duas crianças, por problemas
particulares, não obtiveram melhora em apenas um dos testes (impulsão
vertical). Mas o importante é que foi demonstrado que o basquete ajuda
no desenvolvimento de aptidões físicas, além de outras habilidades.
8- REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS DAIUTO,
Moacyr; Basquetebol: Metodologia do Ensino; São Paulo Editora S.A.;
3ª edição; São Paulo/SP; 1971. FERNANDES, Filho
José; A prática da avaliação física; Shape
Editora; Rio de Janeiro/RJ; 1999. MATSUDO, Victor Keichan R.; Teste em
ciências do esporte; 4ª edição; São Caetano
do Sul/SP; 1987. |