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A auto-suficiência do futebol brasileiro
Prof. Ms. Fabio Aires da Cunha
Temos visto ao longo
dos mais de 100 anos de história do futebol brasileiro
muitas glórias e conquistas. O futebol brasileiro é
sem dúvida o mais vitorioso em todo o mundo. Conquistamos
praticamente todos os títulos importantes no futebol e
em todas as categorias. Títulos como cinco Copas do Mundo,
Copas América, mundiais sub-17 e sub-20 e, outros tantos.
Ao observar as conquistas e principalmente
algumas derrotas, podemos pensar se o futebol brasileiro não
poderia ser ainda mais vitorioso? Com certeza ... sim.
Vamos começar pelas Copas do Mundo.
Nas duas primeiras Copas, 1930 e 1934, fomos com equipes aquém
de nossas possibiliaddes devido à brigas internas.
Em 1938, o famoso caso de Leônidas que
não disputou a semifinal contra a Itália para segundo
alguns, ser poupado para a final. Com isso, disputamos o terceiro
lugar.
Em 1950, um título que estava praticamente
em nossas mãos, foi jogado fora por excesso de confiança,
desorganização e auto-suficiência exagerada.
Em 1966, montou-se quatro seleções e no final não
tínhamos nenhuma. Novamente a auto-suficiência por
sermos na época os atuais bicampeões mundiais imperou
sobre a organização e humildade.
Assim como em 1966, na Copa de 1974, demonstrou-se uma total falta
de humildade e um excesso de confiança.
Todos dizem e concordam que o futebol praticado
no século XXI é muito diferente do futebol praticado
em meados do século XX ou nos anos de 1960 e 1970. A evolução
da preparação física tornou o jogo muito
mais disputado, não se pode depender exclusivamente da
qualidade técnica de um atleta ou uma equipe.
Os brasileiros, digo aqui, jogadores, treinadores
e dirigentes, precisam acordar para essa nova realidade. Até
quando veremos a Seleção Brasileira sofrer em jogos
contra times inferiores tecnicamente, mas disciplinados taticamente,
porque nossos jogadores não se dedicam e nem conseguem
jogar com disciplina e garra. Acabou o tempo em que a Seleção
Brasileira enfrentava seleções sem expressão
e vencia quando e por quanto queria.
Essa auto-suficiência exagerada faz com
que o futebol brasileiro venha sofrendo em jogos que deveriam
ser relativamente fáceis. A frase: "ninguém
é mais bobo no futebol hoje em dia", chega a ser ridícula.
A questão não é que as outras equipes evoluíram,
até porque isso é uma conseqüência lógica
no mundo informatizado e globalizado de hoje.
O problema é que o Brasil parou no tempo. Ainda achamos
que venceremos times "fracos" na hora que quisermos
... puro engano.
No pré-olímpico de 2004, ficou
claro essa auto-suficiência, quer por parte de atletas e
comissão técnica, quer por parte dos dirigentes.
Ao vencer o Chile no penúltimo jogo, diga-se uma ótima
atuação no segundo tempo, a festa que se viu em
campo parecia da conquista da vaga. No jogo seguinte iríamos
enfrentar o Paraguai, equipe que havíamos vencido anteriormente
por 3 a 0 e para piorar jogávamos pelo empate. O que se
viu em campo? Jogadores completamente apáticos, sem determinação
e garra nenhuma, totalmente ao contrário de nossos adversários.
Resultado: derrota e eliminação.
Que lição pode ser tirada desses
acontecimentos ocasionados por essa auto-suficiência exagerada?
Ainda temos o melhor futebol do mundo?
O futebol brasileiro de um modo geral, inclui-se
atletas, comissão técnica e dirigentes, precisa
um pouco mais de humildade, determinação, vontade
e organização. Sem isso, veremos a Seleção
e clubes brasileiros sofrerem para vencer ou o pior, perderem
títulos que poderiam conquistar.
Com certeza ainda temos o melhor futebol do
mundo. É só observarmos nossas conquistas e a atuação
de nossos atletas no exterior. Precisamos apenas acabar com essa
auto-suficiência e encararmos as partidas com mais seriedade.
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