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TÉCNICOS DE FUTEBOL
Ex-atletas ou professores de educação física?
Prof. Ms. Fabio Aires da Cunha
A
recente criação do Conselho Federal e dos Conselhos
Regionais de Educação Física com a intenção
de regulamentar a atuação e as profissões
da área de educação física, surge
uma nova polêmica envolvendo o esporte mais popular do Brasil:
será que os técnicos de futebol necessitam ter uma
formação acadêmica em educação
física?
Essa é uma discussão
que coloca, frente-a-frente, ex-atletas de futebol e profissionais
formados em educação física.
Existe
no Brasil um conceito errôneo de que professores de educação
física não serão bons técnicos por
não terem sido jogadores profissionais, ao mesmo tempo
destaca-se que poucos são os ex-atletas que sabem ensinar.
Uma coisa é executar com qualidade uma habilidade motora,
outra é saber ensinar uma criança ou um jovem como
executar essa habilidade.
Os
dois lados devem ser analisados friamente e de maneira imparcial.
Primeiramente, será analisado a situação
dos ex-atletas e depois a situação dos professores
de educação física que não foram atletas
profissionais.
Os
ex-jogadores tiveram uma vivência prática muito grande.
Passaram por inúmeras situações que são
fundamentais para a prática esportiva, como diferentes
métodos de treinamento, diferentes tipos de comando, vivenciaram
as experiências boas e ruins que ocorrem durante uma partida
e campeonato. O problema é que não possuem conhecimentos
sobre fisiologia, biomecânica, aprendizagem motora, pedagogia
e outras áreas científicas e, também muitos,
infelizmente, não possuem nível intelectual para
conduzir esse tipo de trabalho.
Os
professores de educação física possuem conhecimentos
em fisiologia, anatomia, biomecânica, crescimento e desenvolvimento
humano, pedagogia, aprendizagem motora, nutrição,
possuem também conhecimento sobre psicologia, sociologia,
medicina e antropologia do esporte. As formas de ensino das habilidades
motoras básicas e específicas do esporte também
são fornecidos na faculdade de educação física.
O problema é que não tem muita experiência
em competição, principalmente de alto nível,
muitos começam trabalhando em escolinhas de futebol.
A
questão agora é saber qual o tipo de profissional
é mais qualificado para conduzir equipes de futebol. Já
tivemos profissionais bem sucedidos com os dois perfis, como por
exemplo: Telê Santana (ex-atleta) e Carlos Alberto Parreira
(professor de educação física) e, também
profissionais que possuem as duas formações, como
Vanderlei Luxemburgo.
O
correto seria supor que profissionais com as duas formações
teriam maiores chances de serem bem sucedidos, correto? Talvez,
mas isso dependerá da individualidade de cada um e de outros
valores pessoais.
Quando
pensamos no trabalho com crianças, é imprescindível
ter-se profissionais que possuam conhecimentos em pedagogia, aprendizagem
motora, treinamento esportivo e outras áreas científicas.
Não é necessário pensar em profissionais
que saibam ganhar campeonato, ou pelo menos não deveria
ser necessário. As crianças necessitam desenvolver
suas habilidades e não somente pensar em ganhar. Exigem
também, cargas e volumes de treinamento totalmente diferentes
dos adultos. Existem fases apropriadas para cada estímulo
motor, características essas que somente uma pessoa com
conhecimento teórico saberá empregá-las corretamente.
Por
ano perdemos inúmeros garotos com potencial por má
instrução, ou seja, muitas crianças abandonam
o esporte por receberem treinamento totalmente inadequado para
sua faixa etária, inclusive correndo sérios riscos
a saúde.
Mesmo
para a categoria profissional, os formados em educação
física possuem maiores chances de obterem sucesso na profissão.
São dados que ainda não se tem como comparar, pois
poucos são os professores de educação física
que conseguem uma oportunidade para ingressar nessa profissão
se não foram ex-atletas.
Uma
das soluções seria o CREF juntamente com o MEC (Ministério
da Educação) e as faculdades de educação
física criarem um curso de habilitação para
os ex-atletas que tivesse uma duração de pelo menos
um ano no qual os profissionais aprendessem as principais matérias
científicas pertinentes a profissão.
O
problema é que muitas pessoas acham que não precisam
aprender mais nada, a experiência adquirida durante sua
vida como atletas profissionais foi suficiente para habilitá-los
como técnicos. Esse tipo de problema também ocorre
com profissionais formados. Os profissionais devem se atualizar
constantemente.
Sou
a favor que os técnicos de futebol possuam uma formação
teórica bem embasada, seja com cursos de educação
física ou com algum curso de habilitação
de pelo menos um ano de duração, além dos
cursos periódicos de atualização profissional.
O que não pode mais ocorrer é observarmos treinamentos
sem o mínimo de fundamentação teórica,
que acabam por prejudicar os atletas em vez de auxiliá-los
no desenvolvimento futuro de suas carreiras ou de sua formação
como cidadãos.
O
CREF também não pode simplesmente proibir que os
ex-atletas atuem como técnicos, muitos deles não
sabem fazer outra coisa a não ser viver do futebol. É
necessário procurar uma alternativa que favoreça
todos os profissionais e não coloque os futuros atletas
em risco.
O
futuro do nosso principal esporte está nas mãos
de pessoas competentes e preocupadas com o correto desenvolvimento
tanto da modalidade esportiva, quanto do ser humano.
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