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LIDERANÇA NO FUTEBOL
PROFISSIONAL
Prof. Ms. Fabio Aires da Cunha
...
Liderança não é dominação,
mas a arte de convencer as pessoas a trabalhar para um objetivo
comum.
(GOLEMAN,
1995, p. 164)
Ouve-se
muito a palavra liderança no mundo atual, nos negócios,
no cotidiano das pessoas, no esporte e, mas especificamente
no futebol. Mas o que realmente vem a ser essa palavra? Qual
seu verdadeiro significado? Pode-se colocar liderança
como a situação que uma equipe se encontra num
determinado campeonato, por exemplo, a liderança do campeonato
brasileiro é exercida pela equipe X, em outras modalidades
esportivas, como no automobilismo, diz-se que o piloto Y está
na liderança, mas não é esse conceito ou
significado para liderança que será enfocado nesse
artigo. Coloca-se liderança como a postura, a característica
e a função de um treinador frente uma determinada
equipe de futebol profissional.
No futebol globalizado e competitivo de hoje em dia, ocorre
um nivelamento dos aspectos técnicos, táticos
e físicos e pouco se cria ou se inventa nessa área
sem o conhecimento ou imediata utilização por
todas as equipes. Os fatores psicológicos em muitos casos
irão decidir uma partida ou campeonato. O empenho e dedicação
dos atletas frente a determinadas situações ou
adversários são influenciados diretamente pela
atuação do treinador. O papel do líder
e como ele exerce a liderança será fundamental
no desempenho dos atletas e da equipe, BRANDÃO; AGRESTA
e REBUSTINI (2002); CORRÊA et. al. (2002); SIMÕES;
RODRIGUES e CARVALHO (1998) corroboram essa afirmação.
Liderança
significa a capacidade de influenciar pessoas para trabalharem
juntas, no alcance de metas e objetivos, de forma harmônica.
(BRANDÃO; AGRESTA; REBUSTINI, 2002)
Para FERREIRA (1995):
Líder
- Indivíduo que chefia, comanda e/ou orienta, em qualquer
tipo de ação, empresa ou linha de idéias.
Guia, chefe ou condutor que representa um grupo, uma corrente
de opinião etc. (p. 394).
Liderança - Função de líder. Capacidade
de liderar, espírito de chefia. Forma de dominação
baseada no prestígio pessoal e aceita pelos dirigidos
(p. 394).
Liderar - Dirigir na condição de líder.
Ocupar a posição de líder em qualquer competição
(p. 394).
O líder
deve estar atento a todos os detalhes que envolvem uma equipe.
De acordo com OSTERMANN (2002), Luiz Felipe Scolari está
atento a tudo como líder, vê todos os detalhes,
mas se cerca de profissionais de todas as áreas.
Para Franco, citado por OLIVEIRA; VOSER e HERNANDEZ (2004) o
"treinador é o líder, e para tanto deverá
ser o condutor e articulador das relações entre
os atletas de sua equipe. Ser líder é saber lidar
com as diferenças no grupo e não tornar todos
iguais".
O comportamento
de liderança dos técnicos tende a ser impessoal,
seguindo as normas e regulamentos com rigidez para alcançar
metas. Isso, entretanto, não é garantia de sucesso.
A interação entre comandante e comandados passa
por uma série de fatores de relacionamento interpessoal
(SIMÕES; RODRIGUES; CARVALHO, 1998).
Segundo
Matt "Boom" Daniel, citado por CUNHA (2005), um bom
líder deve:
1. Aprender a planejar - Um bom líder deve antever o
futuro, deve se programar para seis meses, um ano e até
cinco anos.
2. Seja íntegro - O grupo deve ser soberano, interesses
individuais podem atrapalhar o planejamento.
3. Comunique-se de maneira clara - Nessa etapa é importante
a troca de experiência para se atingir um bem comum.
4. Faça sua parte - O líder deve fazer o que planejou
anteriormente.
5. Leve o trabalho a sério - Encare o seu trabalho ou
função como a mais importante.
6. Antecipe os erros - Planeje os problemas que possam ocorrer
no futuro e se prepare para enfrentá-los.
7. Reconheça que precisa de ajuda - Você deve fazer
a sua parte, mas deve admitir que muitas vezes precisa de ajuda
e aceitá-la.
8. Aperfeiçoe a liderança - A liderança
é uma capacidade a ser desenvolvida. Treinamento e disciplina
são conceitos valiosos.
Características
de um líder segundo BRANDÃO; BRANDÃO, citados
por BRANDÃO; AGRESTA e REBUSTINI (2002):
1. Entusiasmo - Além de acreditar nas suas metas, o líder
deve ter um desejo imenso de alcançá-las, com
isso influenciará positivamente seus atletas.
2. Integridade - Os atletas devem confiar no seu líder,
acreditar nas suas idéias, na sua honestidade e que fala
sempre a verdade.
3. Senso de propósito e direção - Além
do conhecimento técnico da modalidade, o líder
tem pleno conhecimento de seus objetivos e de como alcançá-los.
4. Disposição - O líder deve ser bem disposto
e ter uma grande capacidade de suportar cargos e pressão.
5. Coragem - Deve saber escolher as decisões corretas
para cada situação e não exitar em utilizá-las.
Para
DANIELS (2003) a essência de ser líder é
"possibilitar aos outros agirem com o máximo de
sua capacidade". Segundo Chelladurai, citado por BRANDÃO;
AGRESTA e REBUSTINI (2002) a liderança é fundamental
no estado motivacional dos atletas e/ou equipe.
O técnico
deve usar situações de momento para motivar os
atletas JACKSON e DELEHANTY (1997). Vanderlei Luxemburgo também
aproveita todos os acontecimentos durante a semana para motivar
seus atletas (LUXEMBURGO; OSTROVSKY, 2004; FLEURY, 1998). Durante
a Copa do Mundo de 2002, Felipão utilizou muitas conversas
individuais para motivar os atletas, além de histórias,
fábulas, declarações de adversários,
manchetes de jornais e vídeos motivacionais (OSTERMANN,
2002).
"Motivação
- (motivo + ação) é o motivo que alguém
tem para fazer alguma coisa" (FLEURY, 1998, p. 77).
Motivação
- Ato ou efeito de motivar (FERREIRA, 1995, p. 444).
Motivar
- Dar motivo a; causar, produzir. Dar motivo; levar, induzir,
incitar, mover. Despertar o interesse ou o entusiasmo; estimular
(FERREIRA, 1995, p. 444).
Com níveis
de motivação elevados os jogadores tendem a melhorar
o desempenho. Os jogadores direcionam toda a sua energia em
prol dos objetivos da equipe e se esforçam ao máximo
para conseguir o melhor resultado possível (GOULD et.
al., citado por CORRÊA et. al., 2002). Estudo realizado
por CORRÊA et. al. (2002) constatou que a motivação
é essencial no desempenho dos atletas; que os jogadores
acham que a comissão técnica deve estar bem preparada
inclusive com ensino superior e, que o treinador deve fazer
com que os atletas assimilem seus métodos de trabalho,
aprimorem suas habilidades técnicas e táticas
e mantenham a disciplina.
Segundo
DRUBSCKY (2003) a utilização de vídeos
motivacionais nas palestras é um grande aliado no enfoque
psicológico. A motivação para as partidas
é conquistada no dia-a-dia. O trabalho do treinador para
motivar seus atletas não deve se concentrar somente no
dia do jogo.
O treinador
deve conscientizar os atletas que o que faz um time ser vencedor
é o coletivo, mas esse coletivo de sucesso é alcançado
pelos sonhos e aperfeiçoamento dos indivíduos
(FLEURY, 1998).
O treinador
que exerce a liderança de forma repressiva está
fadado ao fracasso. A liderança é uma característica
muito mais ampla do que simplesmente repreender ou gritar com
os jogadores. O grande líder conquista pela amizade,
respeito, dedicação, compreensão, organização,
disciplina e conhecimento técnico os seus comandados.
De acordo com FLAUM (2003) "o verdadeiro líder,
aquele que permanece, é feito de material certo. Ele
sempre constrói a partir de integridade e da credibilidade".
Segundo JACKSON e DELEHANTY (1997) o técnico não
deve ser autocrático.
Segundo pesquisa realizada por OLIVEIRA; VOSER e HERNANDEZ (2004),
os atletas de futebol de campo preferem um treinador com estilo
de liderança educativo. Em segundo lugar preferem um
treinador com feedback positivo, seguido de apoio social, democrático
e, por último, autocrático.
De acordo
com CORRÊA et. al. (2002) os atletas reagem positiva ou
negativamente ao estilo de liderança do técnico.
A forma como ele utiliza e mobiliza os recursos disponíveis
afeta diretamente o desempenho do conjunto.
Liderança
é um ato de coragem. Exige iniciativa e componentes que
não podem ser falseados - trabalho árduo, integridade
e credibilidade.
(FLAUM, 2003).
Devido
aos diferentes e inúmeros fatores que determinam e influenciam
o ambiente de uma equipe, pode-se dizer que não existem
valores específicos e forma de liderar, comandar, orientar
e influenciar o comportamento (SIMÕES; RODRIGUES; CARVALHO,
1998).
Treinadores
que não se prepararem psicologicamente para o cargo,
não souberem a pressão que a função
exige e, principalmente, não estiverem qualificados para
liderar e motivar de forma positiva seus atletas, estão
fadados ao insucesso. O papel do líder fora de campo
é imprescindível no futebol moderno. Para Fernandes,
citado por TEGA (2005) os conhecimentos práticos e teóricos
do técnico são extremamente importantes no futebol.
A sua capacidade para utilizar esses conhecimentos é
fundamental para liderar seus atletas e equipe a alcançar
o desempenho máximo.
Muitos
colocam a liderança como um fator inato, mas ela pode
ser trabalhada e aprimorada até um ponto satisfatório
para a função de treinador de futebol.
Ser líder
não é apenas ser um técnico, implica em
seguir normas sociais, emocionais e funcionais (SIMÕES;
RODRIGUES; CARVALHO, 1998).
Referências:
- BRANDÃO, M. R. F.; AGRESTA, M.; REBUSTINI, F.
estados emocionais de técnicos brasileiros de alto rendimento.
Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília,
v. 10, n. 3, p. 25-28, jul./2002.
- CORRÊA, D. K. A.; ALCHIERI, J. C.; DUARTE, L. R. S.;
STREY, M. N. Excelência da produtividade: a performance
dos jogadores de futebol profissional. Psicologia: Reflexão
e Crítica, v. 15, n. 2, p. 447-460, 2002.
- CUNHA, L. Lições de um Top Gun. Você s/a.,
São Paulo, ed. 80, p. 48-50, fev./ 2005.
- DANIELS, J. Liderar é fácil: leve os outros
a atuarem com o máximo de sua capacidade. Executive Excellence,
Rio de Janeiro: Qualitymark, n. 4, 2004._DRUBSCKY, R. O Universo
Tático do Futebol: Escola brasileira. Belo Horizonte:
Health, 2003.
- FERREIRA, A. B. H. Dicionário Aurélio Básico
da Língua Portuguesa. São Paulo: Nova Fronteira
e Folha de São Paulo, 1995.
- FLAUM, S. Os seis Ps da grande liderança. Executive
Excellence, Rio de Janeiro: Qualitymark, n. 2, p. 1-2, 2003.
- FLEURY, S. Competência emocional: o caminho da vitória
para equipes de futebol. São Paulo: Gente, 1998.
- GOLEMAN, D. Inteligência emocional: a teoria revolucionária
que redefine o que é ser inteligente. Tradução
de Marcos Santarrita. 13. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.
p. 131-132.
-JACKSON, P.; DELEHANTY, H. Cestas sagradas: lições
espirituais de um guerreiro das quadras. Tradução
de Anna Maria Lobo. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
- LUXEMBURGO, V.; OSTROVSKY, I. É campeão! A montagem
de um time vencedor. Rio de Janeiro: Gryphus, 2004.
- OLIVEIRA, J. L.; VOSER, R. C.; HERNANDEZ, J. A. E. A comparação
da preferência do estilo de liderança do treinador
ideal entre jogadores de futebol e futsal. In: LECTURAS: EDUCACIÓN
FÍSICA Y DEPORTES. Revista Digital. Buenos Aires, año
10, n. 76, set./ 2004. Disponível em: <http://www.efdeportes.com>.
Acesso em: 29 dez. 2004.
- OSTERMANN, R. C. Felipão: a alma do penta. 2. ed. Porto
Alegre: Zero Hora, 2002.
- SIMÕES, A. C.; RODRIGUES, A. A.; CARVALHO, D. F. Liderança
e as forças que impulsionam a conduta do técnico
e atletas de futebol, em convívio grupal. Revista Paulista
de Educação Física, v. 12, n, 2, p. 134-144,
jul./dez. 1998.
-TEGA, E. C. Inteligência emocional no futebol. Monografia
(Graduação). In: CIDADE DO FUTEBOL. Disponível
em: <http://www.cidadedofutebol.com.br>. Acesso em: 28
abr. 2005.
Maio de 2005
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