SÓ TORNAM-SE
IDOSOS OS SELECIONADOS PELA VIDA.
Profª. Ms. Érica
Verderi
O
envelhecimento é vitalício. Não começa
num tempo específico tal como aos 60 ou 70 anos. Ao
invés disso é um processo cujo início
se dá no momento mesmo do primeiro sinal de vida do
ser humano.
O envelhecimento é acompanhado de mudanças com
grau acentuado de variação entre os indivíduos.
Uma coisa, porém, é inegável. O envelhecimento
é a regressão de funções e a diminuição
da vulnerabilidade e não da aproximação
da morte. Mas de que morte falamos? Da morte, perda da vida
ou da morte-perda-de-possibilidades, ao longo da vida?
A população de idosos está
atualmente ocupando um espaço muito importante em nossa
sociedade, o aumento dessa população é
uma realidade. Dado este fato, em nosso país começa
a surgir uma certa preocupação em diversos setores,
no sentido de não desampará-los, dando-lhes
melhores e maiores assistências mediante as necessidades.
Com o aumento desta população, tornam-se necessárias
modificações para que melhor possamos adequar
a nova sociedade, sensibilizando a previdência social
para ajustes nos serviços de saúde, educação,
lazer e entretenimento.
A população brasileira envelheceu
rapidamente nas últimas décadas, hoje a perspectiva
de vida é de 67,8 anos, e deverá atingir 74
anos, em 2020, perspectiva de vida atual dos países
desenvolvidos. E analisando a população brasileira
numa estrutura piramidal podemos perceber a expansão
do topo e uma regular tendência de encolhimento da base.
Estamos nos tornando um "país jovem de cabelos
brancos".
Todas as estimativas demográficas
do IBGE apontam para um contingente de aproximadamente 32
milhões de idosos no Brasil, por volta do ano 2025.
Inter-relacionar-se com idosos ou ser um idoso deve ter como
objetivo primordial maximizar suas habilidades, de modo a
preservar sua independência e sua autonomia, manter
a auto-estima sempre elevada, realizar o maior número
de atividades diárias, realizar atividades em grupo,
promovendo situações agradáveis, explorando
a convivência e a sociabilização.
Nesta etapa da vida, encontramos esta população
tendo que se reposicionar diante de vínculos familiares,
sociais e, por que não dizer também, consigo
mesmo. A sociedade não pode permitir que estas pessoas
por tanto tempo contribuindo com seu avanço, ativas
na construção da história, tenham que
se adaptar a um novo mundo, um novo espaço, onde elas
mesmas, reafirmo mais uma vez, ajudaram a construir.
Entende-se como certo que, esta mesma sociedade
possa se adequar a esta população e proporcionar
auxílio às modificações necessárias
para que possam continuar com uma vida digna, atuando nas
atividades que lhes forem agradáveis, manifestando
emoções de alegria, afastando o "mau tempo",
ou até quem sabe, continuar profissionalmente ativos.
O idoso não deve ser considerado
improdutivo. Deve ser aceito e amparado por profissionais
qualificados em recuperar e aprimorar habilidades físico-motoras,
habilidades cognitivas, capacidade de se relacionar, aptidão
para variadas funções diárias. Contribuir
para o bem-estar dos idosos em seu envelhecimento físico,
social e cultural.
A partir daí, leva-lo a redescobrir
suas possibilidades, investir em novos desafios, permitir-se
a momentos de prazer, de alegria e de espontaneidade, afinal,
a "morte-perda-de-possibilidades" ao longo da vida,
como dito anteriormente, pode ser maximizada ou minimizada
nos hábitos e atitudes realizadas no dia-a-dia de cada
um de nós.
Quando se chega na Terceira Idade, iniciamos
um novo momento, o de começar uma nova etapa, de iniciar
novos caminhos, novas conquistas, compartilhar experiências
dos caminhos já percorridos e nunca dizer " já
percorri por todos eles". Os caminhos continuam, porém
com brilho diferente, pode acreditar. Basta seguir em frente
e vislumbrar as novas possibilidades, novas amizades, os novos
momentos.
No entanto, vale ressaltar que, a Terceira
Idade não forma um grupo homogêneo de fácil
identificação nas características sociais,
mentais, culturais, raciais, fisiológicas e profissionais.
São indivíduos com diferentes histórias
construídas em sua trajetória. O que trazem
ao certo, é a sua faixa etária diversificada
e um processo de envelhecimento físico e mental.
Neste contexto, visualizamos a necessidade
de um espaço adequado, possibilitando novas oportunidades
para essa clientela.
Diante desta possibilidade, estes grupos
poderão obter um melhor atendimento a seus anseios
e necessidades, iniciando um processo coletivo e individual
de desmistificação, compreensão e aceitação
do processo de envelhecimento como algo inerente ao próprio
processo existencial.
Conscientizar que, a Terceira Idade é
mais uma etapa da vida a qual temos de cumprir, sem medos
ou receios, incentivando-os a participarem de novos momentos
e redescobrirem os encantos que passaram desapercebidos. Talvez,
por não termos aprendido que a vida deve ser vivida
e sentida a cada momento, pois este, ...quando se dá
por ele, já partiu pra nunca mais...
No entanto, vale a pena insistir na implementação,
de programas para atender o indivíduo em processo de
envelhecimento, se não pelos inegáveis benefícios
fisiológicos que acarretam aos grupos, ao menos pelos
importantes ganhos nos aspectos psicossociais e de qualidade
de vida que podemos oferecer, "visando adicionar mais
vida aos anos, do que anos à vida".
