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Seg, 19/1/09 9:33

MEDICINA

ATIVIDADE FÍSICA: UMA OPÇÃO TERAPÊUTICA PARA PACIENTES PSICÓTICOS INTERNADOS EM INSTITUIÇÃO PSIQUIÁTRICA
Ana Cristina da Nóbrega Marinho
( Mestranda em saúde Coletiva/UEPB)


   "As raízes dos distúrbios psicopatológicos encontram-se na infância, entretanto, eles aparecem mais freqüentemente numa fase mais tardia (final da adolescência). Qual a razão dessa defasagem? o motivo é que para que se instale um distúrbio psicopatológico, são necessários: a) uma estrutura de personalidade cristalizada e organizada ao longo de uma história; b) uma gama de fatores conjunturais que se originam da realidade externa. O peso de cada um desses é variável. De um modo geral diz-se que qualquer indivíduo submetido a condições traumatizantes (tortura, drogas, privação sensorial, etc.) pode apresentar sintomas psicopatológicos. Entretanto, três situações são consideradas privilegiadas para desencadear tais distúrbios.

- Adolescência: pela necessidade de assumir uma identidade sexual e completar o processo de individualização e separação do meio familiar.
- Casamento (estabelecimento das relações amorosas), paternidade, maternidade: pela possibilidade de reatualização de conflitos edipianos.
- Perda de pessoas amadas ou de ideais, fracassos" (MAYER, 1989).

   Segundo JEAMMET (1989) a noção de estrutura da personalidade se refere ao modo como se constitui ou se organiza o psiquismo de um sujeito. Organização essa que sofre influência tanto dos fatores hereditários e congênitos, como das sucessivas experiências objetais envolvendo zonas erógenas cada vez mais extensas e pulsões cada vez menos parciais. As relações com os pais são de capital importância, agregando-se a partir destas, e de acordo com as circunstâncias, as relações com as demais membros do contexto social e educativo. Tudo isto repercute no psiquismo em formação, através de conflitos, traumas, frustrações, mas também através de seguranças anaclíticas e identificações positivas. As defesas são organizadas e o Ego começa a fazer frente às ameaças externas da realidade e às internas que emanam das pulsões.

   Progressivamente, o psiquismo do sujeito vai se estruturando de forma neurótica, perversa ou psicótica, mas ele pode permanecer sadio (livre de sintomas) caso não seja submetido a provas internas ou externas demasiados fortes, ou não receba traumas afetivas e frustrações demasiado intensa".

   Na concepção de BRAGHIROLLI (1990) uma pessoa é considerada psicótica quando mostra perturbações cognitivas e emocionais muito graves; em geral o psicótico é tão incapaz de comportamento social adequado que exige hospitalização temporária. A função do hospital psiquiátrico para ZAGO (1986), "é receber e tratar aquelas pessoas que no meio social apresentaram condutas latentes ou manifestas de ameaça a si e aos outros, comportamentos esses explicáveis em termos do universo da Psicopatologia. Desse modo há sempre a tendência da sociedade, segregar no hospital psiquiátrico todo indivíduo considerado"louco", esperando receber posteriormente um indivíduo "sadio".

   Geralmente as instituições psiquiátricas são dirigidas ou orientadas tecnicamente por um profissional da área de saúde mental, como: o psicólogo, psiquiatra, assistente social, terapeuta ocupacional, enfermeiro, dentre outros. O trabalho destes profissionais é realizado no sentido de permitirem a integração dos pacientes de forma construtiva na sociedade, como também, fazer com que eles se incorporem gradualmente, sempre que for possível a seus trabalhos costumeiros (Idem).

   Segundo FEIJÓ (1992) "um dado significamente estratégico deste problema de socialização é o que ninguém nasce com distúrbio da personalidade. Uma vez instalado o mesmo, surge consequentemente a indisciplina do corpo e da mente". Para tratar desta indisciplina, este projeto visa analisar os efeitos decorrentes da atividade física aplicada em pacientes psicóticos internados em instituição psiquiátrica, porquanto conforme LIMA( 1993) a participação do portador de deficiência na sociedade, fica vinculada as oportunidades que os profissionais da área oferecem, para que o mesmo possa comprometer-se com os valores de sua cultura, tornando-se cidadão atuante e responsável. Acreditamos que para o portador de deficiência, quanto mais oportunidades de vivenciar situações novas, diferentes daquelas que costumeiramente são vivenciadas, e nesse caso específico o deficiente mental, possivelmente melhore seu desenvolvimento cognitivo, motor e social. Sobre este aspecto, JANNUZZI( 1993) defende que "se por um lado o corpo é a mediação, o corpo é o intermédio do homem no mundo social, pois que, ocupa uma dimensão de espaço, por outro lado é por meio dele que o mundo social penetra no homem. Logo é o elemento de intercâmbio HOMEM-MUNDO".

    Para LIMA(1993) "esse elemento de intercâmbio entre homem e mundo, denominado de corpo, não é possível ser qualificado ou quantificado enquanto normal ou deficiente, necessário se faz respeitá-lo em sua essência"; isto implica dizer que é um erro grave a tentativa de privar um corpo de movimento pelo simples fato deste corpo ser considerado deficiente, no entanto, a busca pelo movimento( independente da atividade exercida) por parte do deficiente, deve ser explorada pelas pessoas interessadas em beneficiar este corpo que necessita se movimentar, até mesmo para que eles consigam sentir a vida de maneira diferente.
Partindo desta afirmação PELARIGO (2000) enfatiza que como o ser humano tem a capacidade inata de realizar tarefas motoras, a pouca realização destas representada por uma típica tendência ao sedentarismo, tem causado sérios problemas de saúde, mas é importante ressaltar que a atividade física em excesso pode comprometer a saúde, porquanto é imprescindível que o profissional da área tenha conhecimento acerca dos instrumentos e métodos que serão aplicados, respeitando as variações individuais quanto aos aspectos físicos, psicológicos e culturais.

   No que concerne aos parâmetros a serem considerados em uma avaliação física, PELARIGO( 2000) assinala a:
a) Anamnese Nutricional, que segundo GUEDES( 1988) "consiste em entrevista em que se procura levantar o comportamento alimentar do indivíduo",
b) Gasto Energético- as estimativas quanto ao gasto energético oferecem informações acerca da carência de atividade física
c) Correção Postural- indivíduos portadores de desvios posturais apresentam limite de movimento
d) Composição Corporal-relaciona-se com a quantidade de gordura corporal e da massa magra e e)Aspectos Neuromusculares e Hemodinâmicos/ Metabólicos que diz respeito ao controle de frequência cardáca e pressão arterial.

   Segundo MCARDLE et alii (1992) "a atividade física planejada, estruturada, repetitiva e intencional é uma maneira eficiente de garantir a sobrevivência dos indivíduos no ambiente em que vivem".
"Ora uma vez que eu sou meu corpo e meu corpo é a minha personalidade, não será difícil perceber a importância da atividade física para a educação da personalidade" (FEIJÓ, 1992).

REFERÊNCIAS

BRAGHIROLLI, Elaine Maria. Psicologia Geral. Rio de Janeiro:Vozes, 1990.
FEIJÓ, Olavo G. Corpo e Movimento: Uma psicologia para o esporte. Rio de Janeiro: Shape , 1992.
JANNUZZI, G. A luta pela educação do doente mental no Brasil. São Paulo: Cortez, 1985.
JEAMMET, P. Manual de psicologia médica. São Paulo: Masson, 1989.
LIMA, Sérgio Ricardo Cavalcante. Educação física adaptada : uma proposta de trabalho para portadores de doença mental.Campinas, 1993.
MAYER, H. Histeria. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
MCARDLE, W. D.; KATCH, F. L. & KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1992.
PELARIGO, Luciane Cristina K. A importância da avaliação física na prescrição de programas de exercícios direcionados à saúde.Revista FEFIL,n.1, 2000.
ZAGO, J. A. Trabalho e doença mental: um estudo de caso. Tese de Mestrado. Universidade Metodista de Piracicaba. 1986.

 

 

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