Séries de exercícios
para os alunos intermediários Prof.Luiz
Carlos Chiesa Alunos intermediários
são aqueles que passaram pelos períodos de treinamento básico
e adaptativo, e estão iniciando o primeiro ciclo do período de treinamento
específico. Comumente o primeiro ciclo de treinamento para intermediários
é composto por um mesociclo de 8 a 12 semanas. A
série de exercícios para o treino das 4 semanas iniciais, poderá
ser a mesma, já familiarizada pelo aluno nos períodos preparatórios
anteriores. A partir da semana 5 devemos modificar a seqüência de trabalho.
A introdução de exercícios mais elaborados
e diversificados faz-se necessária para cada grupamento muscular, visando
dar um aporte técnico maior e de caráter específico, para
o desenvolvimento pleno dos objetivos de cada aluno. A reestruturação
das seqüências em relação ao volume de grupos, força
de treinamento ou percentual de carga, assim como a forma ou sistema de aplicação
de cargas, torna-se periódica e obrigatória a cada 4 semanas (microciclo)de
treino. O tempo de treinamento em cada microciclo, só
deve ser ampliado na periodização, em caso de afastamento imprevisto
do tipo viagens, gripes e resfriados etc. A possibilidade de interrupção
forçada durante um microciclo de 4 semanas, cria a situação
para que seja ampliada para até 6 semanas o presente microciclo. Não
devemos esquecer que nas situações de interrupções
do treinamento entre duas a três semanas, incrementa-se a necessidade de
aplicação de um microciclo readaptativo. Nos casos de doenças
transitórias de até sete dias, precisamos reduzir, na maioria das
vezes, o volume de grupos por treinos, com a manutenção dos exercícios
e das cargas ou pesos. A redução da intensidade
das cargas ou pesos e do volume dos treinos, será necessária a partir
de interferências ou interrupções que provoquem afastamentos
acima de quatro semanas. Os exercícios para alunos
intermediários tendem a ser mais específicos e gradualmente vão
substituindo os exercícios que compunham a seqüência inicial.
Dá-se preferência aos exercícios de peso livre, tipo halteres
de disco e anilhas. Algumas máquinas que são de
preferência do aluno devem ser mantidas, porque proporcionam prazer no seu
uso diário. A rigidez do treinamento contra resistência
deve ser quebrada, sempre que for observado rendimento baixo ou pouca vontade
em executar os treinos. Quando surgirem dores musculares ou articulares desagradáveis
e prolongadas, são bons sinais, para que seja feita uma revisão
das séries de exercícios. Devemos estimular
nossos alunos a colocar em pratica com mais seriedade, todos os elementos relacionados
à restauração orgânica como o sono, a reposição
alimentar equilibrada e regular etc, e a tentar sempre a execução
dos limites máximos de movimentos ou a superação das repetições
pré determinadas. As séries consideradas
prioritárias, começam a tomar mais espaço ao longo da evolução
do treinamento. O volume de dias semanais dedicados aos objetivos traçados,
passam a ser mais bem estudados ou elaborados. As séries
para a hipertrofia muscular começam a ser introduzidas gradativamente e
o volume de exercícios ou de grupos por aparelhos, neste caso, será
um pouco mais elevado, principalmente quando visamos a hipertrofia. Para
que seja feito um trabalho com garantias de resultados evolutivos e satisfatórios,
deve-se periodizar e controlar cada passo do treinamento desde os períodos
básico, passando pelo adaptativo e chegando ao específico.
Durante os períodos específicos as series tornam-se
tão importantes como as cargas de treinamento, em função
direta com os objetivos traçados no plano geral de treinamento ou macrociclo.
Um modelo que temos seguido visando a hipertrofia, é
começar o primeiro período específico de treinamento, estimulando
ao máximo o desenvolvimento da força ou da velocidade, para em seguida
introduzirmos especificamente os modelos especiais de seqüências para
a hipertrofia. Temos observamos paralelamente um melhor rendimento e com pouca
estabilização física. Estamos encontrando também uma
grande motivação psicológica, quando da aplicação
de microciclos de quatro semanas com percentuais de cargas fixos nas seqüências
objetivando a força. Durante as quatro semanas seguintes, aplicamos séries
mistas, com percentuais de carga variados e assim sucessivamente. Veja exemplo
periodização abaixo: Quadro 01
| Microciclo
01 | |
Semana |
%de carga |
Repetições |
Grupos
| Repouso
|
Forma
de treino | |
1a
a 4a | 70
| 7
a10 | 4 |
1min
a 3min | Constante
| |
5a
a 8a | 70
e 60 | 7
a10 /11 a 15 | 3 |
1min
e 30seg | Onda
| |
9a
a 12a | 70
| 7
a10 | 4 |
1min
a 3min | Constante
| |
13a
a 16a | 50/60/70
| 7
a 10/11 a 15/16 a 20 |
3 |
1min
a 3min | Pirâmide |
Comumente as séries com percentuais
de cargas fixos são bem clássicas e os intervalos de recuperação
entre os grupos são maiores, entre 1 minuto e 30 segundos até 3
minutos. As séries mistas possuem períodos de repouso entre 30 segundos
a no máximo 1 minuto e 30 segundos visando especificamente a hipertrofia
e as repetições realizadas de forma lenta principalmente na fase
negativa do movimento (retorno à posição inicial). Abaixo
encontra-se um modelo básico (quadro 02) de series de exercícios
para alunos intermediários que treinam de 5 a 6 vezes por semana.
| Percentuais
de cargas de 70% a 79% - repetições: 7 a 10 - grupos ou sets 3 |
| Serie
A | Serie
B | Serie
C | | 1.
Agachamentos livre |
1.
Supino reto | 1.
Pulley alto |
| 2.
Agachador máquina |
2.
Supino declinado |
2.
Remada curvado |
| 3.
leg press 45º | 3.
Supino 45º | 3.
Remada baixa |
| 4.
leg press baixo |
4.
Tríceps pulley |
4.
Rosca direta |
| 5.
Flexora |
5.
Tríceps testa |
5.
Rosca scotch |
| 6.
Extensora |
6.
Tríceps francês
deitado | 6.
Rosca apoiada |
| 7.
Remada alta |
7.
Adutora máquina |
7.
Panturrilhas
máquina | |
8.
Desenvolvimento
barra | 8.
Adutor da coxa
| 8.
Panturrilhas
leg press | |
9.
Desenvolvimento
halteres | 9.
Lombares |
9.
Abdominais |
| 10.
|
10.
|
10.
|
| 11.
|
11.
|
11.
|
A próxima série
é um modelo básico de exercícios para alunos intermediários que treinam 3 vezes
por semana em dias intercalados.
| Percentuais
de cargas de 70% a 79% - repetições: 7a 10 - grupos ou sets 4 |
| Serie
A | Serie
B | Serie
C | | 12. Supino reto | 12. Pulley alto |
1.
Supino reto |
| 13.
Supino declinado |
13.
Remada curvado |
2.
Pulley alto |
| 14. Supino 45º | 14.
Remada baixa |
3.
Desenvolvimento
barra | |
1.
leg press baixo |
1.
Flexora |
4.
Agachamento livre |
|
2.
Extensora |
2.
Leg press baixo |
12. Agachador smith machine |
|
3.
Rack Machine |
3.
Leg press 45º |
13.
Leg press 45º |
|
4. esenvolvimento
Barra |
4.
Rosca direta |
14.
Rosca direta |
|
5.
Tríceps pulley |
5.
Rosca scotch |
5.
Tríceps testa |
|
6.
Tríceps testa |
6.
Panturrilhas
Leg press baixo |
6.
Panturrilhas
Smith machine | |
7.
Panturrilhas
máquina |
7.
|
7.
|
| 8.
|
8.
|
8.
|
| 9.
|
9.
|
9.
|
| | | | |
As
séries que visam grandes ganhos de força devem ser compostas por
exercícios que possibilitem volumes altos de cargas, estes exercícios
são aqueles de caráter multiarticular na maior parte das vezes.
Por este motivo devemos introduzir já nas séries dos alunos intermediários,
boa parte dos exercícios que irão compor as seqüências
principais, no período específico de treinamento. Os
trabalhos visando o desenvolvimento da força, devem ser incorporados ou
introduzidos lentamente no decorrer dos treinamentos. Há duas formas distintas
de evolução da intensidade nos treinos, estas são: 1.
Aumento progressivo do percentual de cargas. 2. Aumento brusco do percentual
de cargas. Aumento progressivo do percentual de cargas
Os percentuais de cargas quando são elevados gradativamente tornam-se menos
lesivos e constituem um mecanismo de melhor controle sobre os picos evolutivos
da força. A força facilmente adquirida também é facilmente
perdida, esta regra do treinamento alerta-nos para uma maior necessidade e controle
das evoluções/involuções. Antes
da elevação do percentual de carga, faz-se necessário treinar
e garantir uma fixação da força adquirida, para que a mesma
não atinja a estabilização e caia posteriormente. As cargas
de trabalho, sempre que possível, devem ser revisadas (ajustadas), porém
haverá a manutenção do numero das repetições
previstas para o equivalente percentual. Com esta sistemática garantimos
a manutenção do treinamento da força específica a
que foi objetivada. A manutenção de períodos
de treinamento com o mesmo percentual de carga até momentos antes da estabilização
da força, é o sinal da necessidade para o aumento do percentual
de carga. Devemos ficar alertas ao momento em que não
verificamos aumentos das repetições com os pesos de trabalho diário.
Reajustar neste caso o percentual de cargas para um patamar mais elevado ou acima
do atual, só é indicado quando há uma estabilização
visível da força. Em alguns casos podemos
registrar até uma queda da força, a qual pode ser sentida ou percebida
por meio da redução dos pesos de trabalho diário. Quando
a presente situação de queda de rendimento acontecer, deve-se tomar
cuidado para que o aluno não seja sobre estimulado, por meio da elevação
das cargas com o novo percentual de cargas. A atitude de
controle a ser colocada em prática, é a criação de
um mesociclo de transição, entre duas a quatro semanas, com percentuais
de carga entre 50% a 59% da força máxima atualizada. Não
insista em criar um microciclo com elevação no percentual de cargas
(microciclo de choque). Aumento brusco do percentual de
cargas Após alguns meses de treinamento, deparamo-nos
com a situação de estabilização no desenvolvimento
da força, mesmo quando aplicamos períodos de treinamento de transição
equilibrados. Após ser retomado o treinamento de força, a mesma
encontra-se estabilizada ou pouco evolutiva. Nestes casos existe a necessidade
de aplicar um microciclo de choque, com percentuais de cargas mais elevados. Veja
o artigo: musculação para iniciantes: a organização
do treinamento. Final Durante
a fase intermediária de treinamento, as séries de exercícios
tornam-se gradativamente mais especializadas, em função direta com
os objetivos pessoais. A intensidade e o volume dos treinamentos, são sempre
a base para uma boa e positiva evolução, por este motivo deve-se
controlar com afinco máximo, cada ciclo de treinamento previsto no macrociclo.
Caso o seu professor orientador não faça um planejamento
mínimo de 4 semanas em seu treinamento e com objetivos bem definidos, procure
questiona-lo sobre tal atitude. No caso de resposta afirmando negativamente a
necessidade de utilização da periodização, ou dos
aspectos de organização e controle. Procure imediatamente informar-se
sobre a formação acadêmica do mesmo. Profissionais competentes
utilizam sempre a periodização, visando o desenvolvimento pleno
de seus educandos. |