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REFLETINDO SOBRE O PERFIL
DO BOM PROFESSOR DE NATAÇÃO
Profa.Ms.
Linda Denise Fernandes Moreira Pfrimer
Convido
vocês a dedicarem um momento à reflexão
de um tema fundamental na formação do profissional
da Educação Física , mais especificamente
, do professor de Natação : o perfil do ótimo
professor.
Hoje em dia , com a proliferação
das faculdades de Educação Física,
algumas de ótima qualidade , outras nem tanto, a
formação superior do professor de Educação
Física já é condição
sine qua non para a caracterização de um bom
profissional da área. Assim, ter uma boa formação
em nível superior é um fator importantíssimo
para o surgimento de um bom professor. Porém não
basta "passar" pela Faculdade. É preciso
viver a faculdade, aproveitar todas as oportunidades que
ela lhe proporciona, empenhar-se no estudo daquilo que se
discute em nível acadêmico. Se isso não
for feito, ao se graduar, inevitavelmente você se
sentirá despreparado para o mercado de trabalho,
desejando poder voltar aos tempos de sala de aula para rever,
e aí sim, apreender, o que for discutido.
Conteúdo, como vimos, é
fundamental. Todavia, além do conhecimento técnico
e científico, há alguns pontos de ordem prática
que ajudam o professor a obter sucesso no ramo da Natação:
Proteção pessoal:
Usar sempre protetor solar e boné para cobrir-se
do sol,
Óculos escuros;
Roupas que permitam a transpiração;
Hidratar-se antes , durante e após
as aulas;
Cuidado com o tom de voz ;
Didática de ensino:
De vez em quando o professor deverá
tirar o boné e os óculos e olhar seus alunos
nos olhos ; isso é muito importante, do contrário
muitos alunos nem o reconhecerão se encontrá-lo
na rua;
Nunca
falar com os alunos de costas para você;
Estar
sempre preparado para entrar na piscina;
Iniciantes
precisam do professor junto dentro d'água na maior
parte do tempo;
É
sempre o professor quem fica de frente para o sol, nunca os
alunos;
Variar
a posição de ensino ao redor da piscina;
Observar
o tom de voz para que não fique nem muito alto para
os que estão perto e nem muito baixo para os alunos
mais distantes;
Caso
o professor proponha alguma atividade em círculo, deverá
explicá-la antes da formação do mesmo
ou formar o círculo incluindo-se nele, para só
então dar as instruções;
Falar
pouco: explicações muito longas são cansativas
e confusas;
O material
na borda da piscina deverá estar sempre organizado;
Nunca jogar o material aos alunos e
sim, entregar a eles;
Usar
roupas justas, pois casacos e moletons largos impedem que
os alunos identifiquem o movimento feito pelo professor;
Usar
o efeito "espelho" quando estiver de frente para
os alunos;
Nunca
dar aulas com o tênis ou outro calçado utilizado
para caminhar na rua; tenha de preferência um par de
chinelos específicos para ser utilizado na borda da
piscina, o que garantirá a higiene da mesma;
Evitar
ficar só de sunga ou maiô na borda da piscina
( a não ser que precise entrar na água em algum
momento durante a aula) pois a visão dos alunos de
baixo para cima pode não ser agradável nessa
situação;
O professor
deverá estar centrado na aula em 100% do tempo; são
incabíveis atitudes como comer na borda da piscina,
conversar com colegas de trabalho, lixar unhas, ler ou descolorir
os pelos durante a aula, mesmo que se trate de uma turma de
alunos avançados. Sempre há o que corrigir,
mudar , incentivar ;
Experimente
utilizar músicas em suas aulas, mesmo com adultos:
o resultado é sensacional;
Seja
sempre pontual e nunca acabe as aulas antes do tempo previsto,
em situações normais;
Prepare
suas aulas sempre, ainda depois de 30 anos de trabalho isso
é necessário;
Quando
for substituir um colega, procure saber antes quem são
os alunos daquela turma, que tipo de trabalho vem sendo feito
com eles e os caso "especiais" ;
Relações pessoais:
Nunca
use apelidos para chamar os alunos (gordinho, Paraíba,
etc.) a não ser que você esteja certo de que
o próprio aluno gosta de ser chamado daquela maneira;
Utilize
o português correto durante as aulas;
Criança
não tem bunda, tem bumbum;
Cuidado
com o palavreado muito informal, mesmo com adultos;
Receba
bem o seu aluno no início das aulas;
Sempre
o convide a voltar após o término da aula
;
Demonstre
interesse por algum problema relatado por seu aluno ( ex:
você melhorou da dor nas costas na aula passada?);
Mesmo
que aquele seja o único "maluco" a aparecer
em um dia de inverno às 7 da manhã quando
vinte minutos já se passaram do início da
aula e você já se preparava para ir embora,
incentive seu aluno a participar da aula e dê a melhor
aula do mundo naquele dia;
Sua
postura corporal demonstra muito sobre você: nada
de ficar encostado nas paredes, sentado, ou com uma atitude
corporal derrotista e desanimada;
Entre
na piscina de vez em quando, mesmo com seus alunos avançados,
para partilhar do meio líquido com eles; a diferença
é incrível;
Pode
parecer impossível a um mesmo ser humano agregar
todas as características acima e talvez seja mesmo.
Contudo, é a busca constante pelo nosso aperfeiçoamento
pessoal e profissional que faz a diferença.
Termino
esse texto com algumas citações do artigo
de Chuck Salter, um escritor americano que tem ensinado
fundamentos de basquete, softbol e futebol a crianças
em Baltimore. Esse artigo foi publicado no ASCA (American
Swimming Coaches Association) Newsletter de Novembro de
2002:
"Alguns
professores olham para si próprios e se designam
experts em determinado assunto deixando metáforas
vazias ao redor do que ensinam. Os melhores professores
são aqueles que guiam: eles dividem o que sabem e
não se tornam os centros das atenções,
os estudantes é que são o objetivo final de
tudo."
"Não
é o suficiente saber o seu programa e material. Você
precisa conhecer o seu grupo, saber quem são as pessoas
que você vai ensinar. Os talentos, os defeitos, as
fraquezas. Você precisa saber onde eles estão
e procurar olhar onde eles poderão chegar."
"A
melhor maneira de ensinar não está em uma
fórmula, é algo pessoal. Diferentes pessoas
ensinam a mesma matéria de forma diferente porque
são diferentes e vêem o mundo de forma diferente.
Nós ensinamos o que somos. O ato de ensinar requer
coragem para explorar o seu próprio sentimento de
identidade".

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