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Treinamento de força
para adolescentes: risco ou benefício?
Alisson Gomes da Silva
Antonio Trajano de Morais Neto²
RESUMO
O treinamento resistido consiste em uma atividade
voltada para o desenvolvimento das funções musculares
através da aplicação de sobrecargas, podendo
esta ser imposta através de pesos livres, máquinas
específicas, elásticos ou a própria massa
corporal. O fato de uma das principais adaptações
musculares ao treinamento resistido ser a hipertrofia muscular,
e os adolescentes estarem comumente insatisfeitos com a própria
aparência, há um crescente interesse destes por
esta área. Entretanto, como o sistema esquelético
nessa fase da vida ainda não está completamente
formado, surge uma preocupação a respeito de tal
prática, que supostamente poderia provocar lesões
osteomioarticulares. Assim, o objetivo deste estudo foi identificar
quais são os riscos e benefícios da prática
do treinamento resistido por adolescentes. A literatura apontou
que os exercícios resistidos exercem efeitos positivos
sobre a densidade mineral óssea, e aumentam a força
muscular em crianças e adolescentes. Na infância,
mecanismos neurais relacionam-se mais aos aumentos da força
do que a hipertrofia muscular, passando a ser considerável
após a puberdade, devido ao padrão hormonal favorável.
No entanto, para que os objetivos do treinamento sejam alcançados,
faz-se necessário o entendimento da dinâmica do
crescimento e desenvolvimento motor para a prescrição
do treinamento resistido, uma vez que a adolescência é
marcada por grandes transformações físicas,
psicológicas e psicossociais. Assim, há evidências
de que os riscos da prática do treinamento de força
em crianças e adolescentes passam a surgir quando este
treinamento não é planejado, estruturado e supervisionado
por profissionais competentes. Com tais cuidados, este tipo
de treinamento provavelmente será benéfico a crianças
e adolescentes, e poderá proporcionar a obtenção
dos objetivos propostos.
1.
Introdução
Na sociedade moderna, percebe-se uma busca
frenética por padrões de beleza e auto-imagem
idealizados e reforçados pela mídia (LIMA et al,
2001; GOLDBERG, 2001, apud GOLDBERG et al, 2003). A insatisfação
com a própria aparência, além de estar relacionado
com transtornos alimentares, pode conduzir adolescentes à
busca de atividades físicas de alta intensidade e grande
volume de treinamento, como valorização do corpo
e da imagem idealizados, a serem atingidos, muitas das vezes,
a qualquer custo (GOLDBERG et al, 2003).
Um dos meios comumente utilizados para tal,
é o treinamento resistido (também conhecido como
treinamento de força ou contra resistência), uma
vez que, segundo Godoy (1994) citado por Hansen (2002), além
de apresentar finalidades terapêuticas, profiláticas,
psicológicas e específicas, apresenta ainda características
estéticas, uma vez que modifica a massa corporal, objetivando
formas corporais desejáveis.
O treinamento resistido consiste em uma atividade
voltada para o desenvolvimento das funções musculares
através da aplicação de sobrecargas, podendo
esta ser imposta através de pesos livres, máquinas
específicas, elásticos ou a própria massa
corporal (FLECK e KRAEMER, 2006).
A sua popularidade entre pré-púberes
e adolescentes tem aumentado espantosamente durante a última
década. As seguintes organizações têm
produzido posicionamentos indicando que o treinamento de força
para jovens é eficaz e seguro quando apropriadamente
supervisionado: American Academy of Pediatrics (1990), National
Strength and Conditioning Association (1996) e American College
of Sports Medicine (ACSM) (1998). Apesar desses posicionamentos,
ainda existem questionamentos e dúvidas a respeito do
treinamento de força para jovens (FLECK e KRAEMER, 2006).
Nesse sentido, Goldberg et al (2003) aponta
que a principal preocupação da adesão de
adolescentes ao treinamento com pesos é a possibilidade
de lesões nas epífises ósseas, devido à
grande vulnerabilidade destas à lesões, provocadas
por sobrecarga, antes do amadurecimento fisiológico.
Assim, o presente trabalho busca identificar,
através de uma revisão de literatura, quais são
os possíveis riscos e benefícios da prática
do treinamento resistido por adolescentes.
2. Objetivos
2.1. Objetivo geral
" Identificar a relação custo-benefício
no treinamento de força para adolescentes.
2.2. Objetivos específicos
" Descrever o processo de maturação humana.
" Identificar as adaptações osteo-musculares,
hormonais e neurais provenientes do treinamento de força.
" Identificar, na literatura, os principais riscos e benefícios
do treinamento resistido na adolescência.
3. Revisão de Literatura
3.1. Maturação humana
A adolescência é caracterizada
como um período de transição no desenvolvimento
entre a infância e a idade adulta que envolve grandes
e interligadas mudanças físicas, cognitivas e
psicossociais. Dura quase uma década, aproximadamente
dos 12 ou 13 anos até o início dos 20 anos. No
entanto, não há definição clara
para seu ponto de início ou fim (PAPALIA e OLDS, 2000).
O componente "bio" da adolescência
é reconhecido como puberdade e envolve, entre outras
alterações fisiológicas próprias
da idade, o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários,
o ganho acelerado de estatura e peso e as alterações
da composição corporal (Goldbert et al, 2003).
Segundo Oliveira et al (2003), nessa fase ocorre, ainda, aceleração
do crescimento, aumento nos níveis de testosterona, diferenciação
nas fibras musculares de contração lenta e rápida,
diferenciação entre os sexos (antropometria e
massa muscular) e menarca (início da função
menstrual). Já Duarte (1993), citado por Silva (2002)
e por Oliveira (2006), define maturação pubertária
como variações na velocidade e no tempo de surgimento
de determinadas características, capacitando o individuo
a atingir a maturidade biológica.
As diferenças físicas e psicológicas
são resultantes de potenciais genéticos e velocidades
diferentes de crescimento (Fleck e Kraemer, 2006). Consequentemente
observa-se variações individuais e entre populações,
com relação à idade de início, duração
e magnitude dos eventos pubertários (Goldberg et al,
2003). Assim, Silva (2002) argumenta que a idade cronológica
não pode ser usada como ponto de corte para demarcação
de períodos de desenvolvimento, e segundo Goldberg et
al (2003), não pode ser reconhecida como indicador temporal
adequado, pois nem sempre é sensível às
modificações individuais provocadas pelo processo
de maturação.
Nesse sentido, em relação ao
desenvolvimento do treinamento de força, Fleck e Kraemer
(2006), afirmam que a idade fisiológica é mais
importante do que a cronológica, pois determina as capacidades
e os desempenhos funcionais da pessoa.
Os programas de treinamento de força
para pré-púberes e adolescentes de ambos os sexos
são bastante parecidos. Entretanto, algumas diferenças
no desenvolvimento devem ser consideradas quando são
estabelecidos os objetivos para meninos e meninas. Em meninos
pré-púberes, a velocidade nos ganhos de força
parece chegar ao pico seguindo o pico da velocidade do crescimento
(Naughton et al, 2000), enquanto o pico da força em muitas
meninas ocorre antes ou durante o pico da velocidade de crescimento.
De qualquer forma, o estágio de desenvolvimento, no qual
ocorrerá qualquer aumento de força é consistentemente
maior em meninos do que em meninas (FLECK e KRAEMER, 2006).
Durante a infância e adolescência,
músculos, tendões e ligamentos são de duas
a cinco vezes mais fortes que suas inserções nos
ossos. Deve-se evitar, portanto, a técnica incorreta
na realização dos exercícios; o aumento
súbito da intensidade, o desrespeito à individualidade
biológica; a especialização precoce, resultando
em estresse mecânico sobre as estruturas músculo-tendinosas,
ligamentosas e ósseas (Oliveira et al, 2003). Corroborando
este pensamento, Nickols-Richardson, Modlesky, O'Connor e Lewis
(2000), citados por Silva (2002), atentam para a possibilidade
de lesões, recomendando que a força máxima
ou próxima dela seja evitada, e enfatizam a necessidade
das técnicas apropriadas.
Diante do exposto, fica claro que as inúmeras
alterações físicas, psicológicas
e psicossociais na criança e no adolescente, provocam
conseqüências para a atividade corporal ou esportiva
(ÄSTRAND, 1980; WEINECK, 1991).
Viru et al (1999) argumenta que a avaliação
da maturação sexual é fundamental quando
se objetiva prescrever programas de exercícios físicos
para adolescentes, uma vez que o aumento da secreção
de gonadotrofinas e esteróides sexuais gonadais induzem
o desenvolvimento sexual, aumento da massa corporal, estatura
e melhora na aptidão física dos jovens (Goldberg
et al, 2003). Corroborando, Fleck e Kraemer (2006) ressaltam
a necessidade de se entender os princípios básicos
do crescimento e desenvolvimento, já que ajudam no desenvolvimento
de objetivos e progressões de exercícios nos programas
de treinamento de força. E por fim, Nunes (2005), afirma
ser importante compreender as características individuais,
para que se possa orientar o treinamento físico, mantendo
bons níveis de saúde de acordo com a idade e o
sexo.
3.2. Principais adaptações
ao treinamento de força
Entende-se por adaptação o processo
fisiológico pelo qual o organismo responde ao exercício
(FLECK e KRAEMER, 2006).
Um treinamento sistematizado resulta em adaptações
estruturais e fisiológicas, sendo que os vários
sistemas do corpo adaptam-se de modo diferente. Os músculos
crescem, ossos ficam mais fortes ou fracos, dependendo da carga,
o sistema nervoso central torna-se mais eficiente para recrutar
a ação muscular enquanto a performance motora
faz-se mais coordenada e refinada (BOMPA e CORNACCHIA, 2000).
Adaptação
anatômica
Um treinamento vigoroso de força sempre desenvolve tensão
em ligamentos e tendões, podendo acarretar lesões.
Os tendões e ligamentos levam mais tempo para se adaptarem
à contrações potentes do que os músculos.
Portanto, indivíduos treinados após um período
de descanso, e iniciantes em treinamento de força, necessitam
de 6 a 12 semanas para treinar os tendões e ligamentos.
Essa adaptação é proporcionada por um treinamento
progressivo e não estressante que ative todos os músculos,
ligamentos e tendões, visando ajudar o indivíduo
a passar para outra fase mais intensa de treinamento, livre
de lesões (BOMPA e CORNACCHIA, 2000; MELONI E GENTIL,
[s/d]).
Hipertrofia muscular (aguda,
crônica e metabólica)
Uma das adaptações mais
visíveis ao treinamento de força é a hipertrofia
muscular, que ocorre graças ao aumento na área
da secção transversa de cada fibra muscular (WEINECK,
2003).
Pode ser classificada em aguda (transitória)
ou crônica (miofibrilar). A hipertrofia transitória
é o aumento de volume do músculo que ocorre durante
uma sessão de exercício, decorrente principalmente
do acúmulo de líquido (originário do plasma
sanguíneo) nos espaços intersticial e intracelular
no músculo, sendo que o este retorna ao sangue algumas
horas após o exercício (WILMORE e COSTILL, 2001).
Já a crônica é proveniente de mudanças
musculares estruturais, devido ao aumento do tamanho e número
dos miofilamentos protéicos, que ocorre com treinamento
de força de longa duração (BOMPA e CORNACCHIA,
2000; WILMORE e COSTILL, 2001; CHIESA, 2003). Este tipo de hipertrofia
ocorre como adaptação à sobrecarga tensional
nos músculos em atividade. (SANTARÉM, 1998; CHIESA,
2003).
Existe ainda um outro tipo ou mecanismo de
hipertrofia muscular chamado de hipertrofia metabólica
ou sarcoplasmática. Este processo é desencadeado
pelo aumento de certas substâncias no citoplasma da célula
muscular (sarcoplasma), promovendo um conseqüente aumento
no tamanho da musculatura (HANSEN, 2002). As adaptações
do corpo promovendo hipertrofia metabólica ou sarcoplasmática
ocorrem através de sobrecarga metabólica, a qual
designa um aumento de atividade dos processos de produção
de energia (SANTARÉM, 1998; CHIESA, 2003).
Bompa e Cornacchia (2000) ainda apontam que
o hormônio sexual masculino "testosterona" assume
papel importante no crescimento muscular, sendo outra teoria
a respeito da hipertrofia.
Adaptações
neuro musculares
Ganhos em força muscular podem ser
explicados por mudanças no padrão de recrutamento
de unidades motoras e pelo sincronismo das mesmas para agir
em união, o que facilita a contração e
aumenta a capacidade do músculo de gerar força
(BOMPA e CORNACCHIA, 2000; WILMORE e COSTILL, 2001).
A grande maioria das evidências indica
que os ganhos na força em pré-púberes relacionam-se
mais aos mecanismos neurais do que à hipertrofia muscular
(BLIMKIE, 1993; NATIONAL STRENGHT AND CONDITIONING ASSOCIATION,
1996, apud FLECK e KRAEMER, 2006). Katch e McArdle, (2003) confirmam
este raciocínio argumentando que os aumentos da força
em crianças resultam principalmente do aprendizado e
da ativação neuromuscular aprimorada e não
de aumentos substanciais no tamanho dos músculos. Da
mesma forma, Silva (2002) afirma que do ponto de vista fisiológico
nas crianças pré-púberes, este aumento
ocorre devido à melhoria na freqüência de
transmissão e recrutamento das fibras motoras e não
necessariamente à hipertrofia, fato que só passa
a ocorrer com a puberdade, devido ao aumento da quantidade de
hormônio de crescimento, sendo que nos meninos ainda há
o aumento da testosterona, o que tende a favorecer algumas respostas
relacionadas à melhoria da força.
Assim, o crescimento acentuado do músculo
em resposta ao treinamento de força pode começar
após a adolescência, quando os perfis hormonais
de homens e mulheres adultos começam a surgir. Após
a puberdade, o treinamento de força tem a capacidade
de aumentar a hipertrofia muscular para além daquela
alcançada no crescimento normal. Entretanto, devido às
diferenças nos períodos de maturação
entre as crianças, deve-se avaliar esse objetivo individualmente
(FLECK e KRAEMER, 2006).
Embora os mecanismos exatos que promovem o
aumento da força em indivíduos pré-púberes
e púberes ainda não estejam completamente elucidados,
os autores supra-citados atestam que o treinamento de força,
claramente, promove aumentos na força de meninos e meninas.
No entanto, isto está na dependência de um treinamento
adequadamente estruturado com relação à
freqüência, tipo, intensidade e duração
do programa (GOLDBERG et al, 2003).
3.3. Riscos e benefícios do treinamento
de força na adolescência
Especificamente no que se refere ao trabalho
de força com crianças e adolescentes, há
uma idéia geral de que este tende a acarretar uma série
de lesões ósteo-mio-articulares, que poderiam
favorecer a inibição do crescimento, prejudicando
a estatura final (SILVA, 2002).
Para Katch e McArdle (2003), devido à
natureza formativa do sistema esquelético das crianças
em crescimento, surgem preocupações acerca da
possibilidade de ocorrerem lesões em virtude da sobrecarga
músculo-esquelética excessiva. Além disso,
o perfil hormonal de uma criança carece do desenvolvimento
pleno, particularmente o hormônio testosterona. Assim,
poder-se-ia questionar se o treinamento resistido em crianças
seria capaz de induzir aprimoramentos significativos da força
muscular.
Damsgaard et al (2001), sustentam que o treinamento
de força intenso em adolescentes parece acarretar decréscimo
nos níveis de IGF-I (fator de crescimento para insulina),
sugerindo que esse treinamento pode reduzir o crescimento e
comprometer a estatura final (GOLDBERG et al, 2003).
Nesse contexto, Oliveira et al (2003) alertam
que são necessários cuidados com a sobrecarga
ao relacionar o treinamento com o crescimento ósseo,
pois este ainda não se encontra em sua formação
final.
Para Fleck e Kraemer (2006), os problemas
nas costas podem ser uma das lesões mais comuns em adolescentes
e pré-púberes que realizam treinamento de força,
causados normalmente pelo levantamento de cargas máximas
ou próximas da máxima, e pela execução
incorreta de exercícios. Assim, grupos musculares adicionais
são recrutados, a coluna vertebral é alinhada
de forma inadequada, principalmente com arqueamento da região
lombar, o que coloca uma sobrecarga nessa região (KATCH,
1996, apud JESUS e MARINHO, 2006). Nesse sentido, Weineck (2003)
alerta para a importância do uso da técnica correta
para o levantamento de uma carga, especialmente durante a juventude.
Entretanto, alguns preconceitos estão
sendo derrubados em relação ao treinamento de
força muscular em crianças (Oliveira; Gallagher,
1999), como o comprometimento do crescimento cartilaginoso,
fraturas, lesões crônicas e problemas lombares.
A utilização de exercícios
contra resistência, se realizado de forma adequada, proporciona
um excelente meio de fortalecimento dos músculos do abdome
e da região lombar, de modo a sustentar e proteger a
coluna vertebral (JESUS e MARINHO, 2006).
Em se tratando de densidade mineral óssea,
o treinamento de força pode apresentar um efeito favorável
em pré-púberes e adolescentes em ambos os sexos
(NATIONAL STRENGHT AND CONDITIONING ASSOCIATION, 1996; NAUGHTON
et al, 2000, citados por FLECK e KRAEMER, 2006).
De acordo com Khan et al (2000), essa é
uma consideração importante para a saúde
óssea a longo prazo, já que estudos de ex-atletas
e de atletas em destreinamento mostram que, aqueles que aumentam
sua densidade mineral óssea na adolescência podem
apresentar menor perda óssea nos anos seguintes, apesar
da redução na atividade física (FLECK e
KRAEMER, 2006). Portanto, qualquer aumento na densidade mineral
óssea acima do crescimento normal durantes os anos da
pré-puberdade e adolescência pode ajudar a prevenir
uma osteoporose futura.
Para Nordström et al (1995) apud Goldberg
et al (2003), existe forte associação entre massa
óssea e força dos músculos adjacentes.
Assim, incremento da massa muscular reflete-se em aumento da
massa óssea, ou seja, os músculos, uma vez estimulados,
irão desencadear aumento osteoblástico na região
óssea próxima do local onde se inserem. Krahl
et al, (1994) afirmam que o estresse contínuo provocado
pelo exercício físico resulta em adaptações
morfológicas, tais como: aumento da espessura cortical
e maior conteúdo ósseo na inserção
musculotendínea (GOLDBERG et al, 2003).
Devido ao profundo interesse na área
de mineralização óssea na infância
e adolescência, Goldberg e Silva (2004) conduziram investigação
com adolescentes do sexo masculino, e os resultados indicaram
intenso anabolismo ósseo entre as faixas etárias
de 14 a 16 anos e quando os mesmos atingiam o estágio
de maturação sexual G4. Estudos de khan et al
(2001) sugerem que os estágios II e III de Tanner, quando
associados com atividades esportivas, promovem aumento significativo
na densidade mineral óssea da grande maioria de adolescentes
(GOLDBERG et al, 2003). Já Haapasalo et al (1998), estudaram
os efeitos do treinamento de tênis e da maturação
sexual, e o seu impacto na densidade óssea dos membros
superiores. Foram utilizados os critérios de Tanner para
o sexo feminino. Os resultados indicaram que, no estágio
I de Tanner, o ganho na densidade mineral das tenistas só
ocorria quando o treinamento era muito intenso e que o aumento
mais pronunciado era nos estágios III e IV. Os autores
propuseram que, em estágios iniciais da puberdade, a
repercussão óssea ao estímulo da sobrecarga
é pouco significativa, enquanto que, em fases mais avançadas
da maturidade sexual, o padrão hormonal conjugado à
atividade esportiva conduz a maior deposição de
massa óssea nos locais específicos dos estímulos
musculares.
Weltman et al (1986) estudaram a segurança
e eficiência do treinamento de força em 26 crianças
pré-púberes. Esses autores não encontraram
evidências de lesão à epífise, ossos
ou músculo após um programa de 14 semanas de treinamento
de força com supervisão. Blimkie et al (1989),
na Universidade de McMaster em Ontário, Canadá,
também avaliaram a segurança e eficiência
do treinamento de força em meninos pré-púberes.
A segurança foi monitorada por um médico que avaliava
antes, durante, e após o treinamento. Os resultados dessa
pesquisa não acusaram nenhuma evidência de lesão
ao sistema músculo-esquelético após o treinamento
de força, e encontraram significativos ganhos de força
e melhor desempenho esportivo (ROBERGS, ROBERTS, 2002).
Portanto, tem-se verificado que, com uma adequada
supervisão da sobrecarga, a incidência de lesão
é praticamente nula (OLIVEIRA et al, 2003). Daí
a importância do treinamento de força nessa faixa
etária ser planejado e orientado por profissionais de
Educação Física qualificados.
Pollock (1986) citado por Biazussi [s/d] ainda
acrescenta, apontando outros benefícios proporcionados
pelo treinamento resistido aos adolescentes: hipertrofia muscular,
níveis de força e resistência muscular elevados,
aumento da secreção de hormônios anabólicos,
redução da dor em pacientes que sofrem de dores
lombares e melhora da mobilidade, melhora do metabolismo da
glicose e da sensibilidade à insulina, e metabolismo
basal elevado.
Entretanto, para que os objetivos e benefícios dos programas
de treinamento de força sejam alcançados, eles
devem ser apropriadamente elaborados e progressivos, ensinados
corretamente e supervisionados de forma competente (FLECK e
KRAEMER, 2006).
3.4. Considerações acerca
do treinamento de força na infância e adolescência
Katch e McArdle (2003) indicam recomendações
prudentes para iniciar um treinamento de força com crianças
e adolescentes. Apesar de não ser objetivo deste trabalho,
pensamos ser importante evidenciá-las.
|
Idade (anos)
|
Considerações
|
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7 ou menos
|
Introduzir a criança
aos exercícios básicos com pouco ou nenhum
peso; elaborar o conceito de uma sessão de treinamento;
ensinar as técnicas dos exercícios; progredir
de calistenia com utilização de peso corporal;
exercícios com parceiro e exercícios levemente
resistidos; manter o volume baixo. |
|
8 - 10
|
Aumentar gradualmente o número
de exercícios; praticar a técnica do exercício
em todos os levantamentos; começar com uma carga
progressiva e gradual; proporcionar exercícios simples;
aumentar gradualmente o volume do treino; monitorar com
cuidado a tolerância ao estresse do exercício. |
|
11 - 13
|
Ensinar todas as técnicas
básicas dos exercícios; prosseguir com a carga
progressiva de cada exercício; enfatizar as técnicas
dos exercícios; introduzir exercícios mais
avançados com pouca ou nenhuma resistência. |
|
14 - 15
|
Progredir para programas
mais avançados; acrescentar componentes específicos
para cada desporto; enfatizar as técnicas do exercício;
aumentar o volume. |
|
16 ou mais
|
Conduzir a criança
para programas adultos de nível inicial depois que
todo o conhecimento básico foi dominado e que foi
conseguido um nível elementar de experiência
com o treinamento. |
Fonte: Katch e McArdle (2003).
4.
Conclusão
O fato do sistema esquelético não
se encontrar em sua formação final em adolescentes,
não significa que estes não podem ser submetidos
à exercícios de força. Entretanto, a prescrição
desses exercícios à adolescentes deve ser cautelosa,
uma vez que nessa fase da vida ocorrem inúmeras alterações
físicas, psicossociais e psicológicas.
Mecanismos neurais são responsáveis pelos aumentos
na força em crianças submetidas ao treinamento.
Já a hipertrofia muscular passa a ser alcançada
após a puberdade, quando os padrões hormonais adequados
começam a surgir.
Foi constatado que o treinamento de força
altera significativamente a densidade mineral óssea em
crianças e adolescentes, prevenindo uma possível
osteoporose futura. Além disso, o treinamento proporciona
manutenção da aptidão física relacionada
à saúde, redução do estresse emocional;
aumento da auto-estima; alterações positivas na
composição corporal; melhora nos níveis de
lipídios no sangue; metabolismo elevado, etc.
No entanto, o treinamento deve ser planejado
e estruturado por profissionais qualificados da Educação
Física, com conhecimentos sobre o crescimento e desenvolvimento
humano. Isto contribui significativamente no desenvolvimento de
objetivos e progressões de exercícios nos programas
de treinamento, além de garantir que os objetivos sejam
alcançados, e a incidência de lesões atenuadas.
Portanto, há evidências de que
os riscos da prática do treinamento de força em
crianças e adolescentes passam a surgir quando o treinamento
não é planejado, estruturado e supervisionado por
profissionais competentes. Com tais cuidados, o treinamento de
força provavelmente será benéfico aos adolescentes
e crianças, proporcionando o aumento da força muscular,
hipertrofia muscular (principalmente em adolescentes), densidade
mineral óssea, enfim, o alcance dos objetos propostos.
¹ Acadêmico do Curso de Educação Física
da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes
² Professor do Curso de Educação Física
da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes
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